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:: DAVE JOHNSTON ::













Dave Johnston

Vencedor da Taça do Mundo de Kayaksurf 2006

Dave a surfar em casa - Santa Cruz, Califórnia

Dave Johnston

Podemos considerar Dave johnston como uma referência obrigatória na história e evolução do kayaksurf mundial. Aos 43 anos de idade, este norte-americano nascido na Califórnia, apresenta um impressionante currículo desportivo senão, vejamos… sagrou-se vencedor, por quatro vezes, da mítica prova de kayaksurf de Santa Cruz na classe de IC. Foi cinco vezes finalista nos campeonatos mundiais de kayaksurf. Elevou a taça de campeão do mundo por equipas – US West Team - nos mundiais de kayaksurf em 1993 (EUA), 1999 (Brasil) e 2005 (Costa Rica). Já representou por oito vezes a selecção de kayaksurf da Costa Oeste dos EUA. Foi o vencedor da COMMANDER OF CALIFÓRNIA CUP CHAMPION 2006. Foi Campeão Nacional de kayaksurf em HP em 2002 e 2006 acumulando ainda no presente ano, a título de Campeão Nacional em Masters IC. Como títulos individuais de destaque, salientamos a vitória como campeão do mundo em IC no ano de 1999 no Brasil e, claro, o vencedor da Taça do Mundo de 2006, que decorreu no nosso país no mês passado.

Em conversa com Txema Carreto - craque da selecção basca que em breve será entrevistado e que conhece Dave há muitos anos – depressa me apercebi que este californiano era, acima de tudo, um craque com grande classe e humildade. Todos lhe reconhecem um percurso de grande sobriedade, entreajuda e profissionalismo. Dave fez da canoagem a sua vida. É instrutor, guia e dono de uma loja desportiva que promove passeios e vários cursos em torno da canoagem – www.kayaksantacruz.com . Do alto da sua elevada experiência, Dave acredita que o kayaksurf está num momento de grande evolução. Vê com enorme satisfação a nova geração de kayaksurfistas e, inclusivamente, elege nesta entrevista aqueles que considera serem os melhores competidores do momento. Já apanhou grandes sustos no mar mas assume que é um apaixonado das ondas grandes. No fundo, e como o próprio refere, é tudo uma questão de “dançar” com as ondas… grande entrevista.

KAYAKSURF.NET - Olá Dave, em primeiro que tudo, parabéns pelo grande ano de vitórias que tens tido! Vencedor em Santa Cruz, vencedor na Taça do Mundo em Portugal… qual o segredo?

DAVE JOHNSTON – Yeah, tem sido um ano de sonho para mim. Acho que muito, devo-o ao meu novo kayak, o Twist (Murky Waters) e ao meu QUAD BELT. O quad belt é um sistema de aperto que me agarra ao kayak. Só o comecei a usar neste novo kayak. Para além disso, também acho que estou mais concentrado do que no passado. Agora tenho menos “segundos lugares” do que quando era mais novo. Posso não ser tão divertido a andar, mas ganho mais e, o mais importante, dou uma melhor imagem para os meus dois filhos.

Quando é que o kayaksurf surgiu na tua vida?

Eu comecei no kayaksurf em 1984. Estava a trabalhar numa loja de material de montanha e dava cursos de esquimotagem e de canoagem em águas bravas. Foi nessa altura que comecei a levar o meu Perception Dancer para as ondas de Santa Cruz, onde vivia. Tive que aprender da maneira mais dura o que era a “etiqueta do surf” e aguentar a reacção dos surfistas de prancha em relação aos kayaksurfistas. Tenho a sorte de fazer da canoagem a minha forma de vida, daí que não tenha que treinar tanto como os outros. E desde que a minha mulher é Quiropata, tenho tido ajuda na recuperação de lesões. Também é por isso que eu tenho aguentado tudo isto até agora.

Tu fazes parte da selecção norte americana de kayaksurf desde 1988 por altura da primeira prova mundial, na Irlanda. Conta-nos como vos correu o campeonato…

Em 1988, juntei-me a um grupo de canoístas da Califórnia (que formaram a primeira selecção norte americana de kayaksurf) e viajámos até à Irlanda para participar nos British Canoe Union Home Open Competition. Não tínhamos uma equipa completa nem surfistas de waveski mas conseguimos vencer na classe dos kayaks. Um dos meus companheiros de equipa, Eric Hanscom, ganhou na classificação individual. Depois disso, eu e a minha mulher fartámo-nos de andar de bicicleta à chuva por toda a Irlanda. Foi a nossa lua de mel.



Dave a competir em Peniche



Com as tuas 8 participações na selecção norte americana de kayaksurf, quais as melhores recordações que guardas de todos esses anos…

O melhor campeonato em que participei foi no Brasil. Eles montaram uma estrutura de três pisos na praia com comida e bebidas energéticas grátis para todos os competidores. Os juízes estavam no andar do topo com computadores e conseguiam publicar todos os resultados logo depois dos heats e divulgá-los prontamente para toda a assistência. Eram os mesmos juízes e a mesma estrutura que tinham sido utilizados pelo Circuito Mundial de Surf e de Bodyboard. A cobertura mediática do evento também era enorme. Mal eu ganhei e saí da água, surgiram logo duas câmara de televisão com repórteres que me entrevistaram. No dia seguinte, a minha fotografia saiu na capa dos jornais desportivos. O Brasil tem uma tradição cultural em torno das praias que é incrível e misturam essa faceta com uma culinária saudável e uma forma de vida bastante activa.

“O melhor campeonato em que participei foi no Brasil.”




E as participações que não te trazem recordações tão boas…

Claro que, com todas estas vitórias, também surgiram derrotas. O pior é quando tu perdes por falta de ondas. É frustrante porque te sentes defraudado pela Mãe Natureza.

E agora acerca da prova em Portugal… grande heat com Jonny Bingham! Sentiste logo no fim do heat que tinhas ganho a prova?

Peniche foi uma grande competição. As ondas eram diferentes todos os dias e, mesmo ao longo do dia, com as marés, tudo mudava constantemente. Isto tornou tudo mais aliciante em relação à estratégia a adoptar. Mas havia sempre muitas ondas. Senti desde os quartos de final que podia esperar no outside pelas melhores ondas. E vieram mesmo. Fiquei admirado porque via que o pessoal que surfava os meus heats, preferia surfar na rebentação, talvez porque pensassem que as ondas lá fora estivesse a fechar mais. E isso era verdade mas a minha estratégia era entrar mais e mover-me mais para sul onde se formavam algumas paredes boas para surfar. Como forma de evitar o fecho da onda, procurei descê-las rapidamente pela esquerda, fazendo poucos cutbacks e assumindo uma postura mais conservadora em relação às primeiras ondas que apanhei. Eu acho que, se todos tivéssemos surfado ondas do mesmo tamanho, talvez não tivesse ganho. Mas eu sabia que tinha apanhado as maiores ondas.



Dave e Jonny a sairem do heat final da World Cup


O que é que achaste de Peniche?

Peniche foi muito bom porque o hotel estava mesmo ali ao pé da praia. Havia muitas ondas para surfar, grandes, pequenas, muito variadas e sem muita gente no mar. Tivemos muito poucos arrufos com os surfistas locais. Durante os heats, o pessoal que estava dentro de água dava-me, sem problemas nenhuns, todas as ondas que eu pedia. A água e a praia eram limpas e a água era menos fria do que no norte da Califórnia.

A vossa selecção estará para o ano em Mundaka, no mundial. Quais as vossas expectativas e quantos kayaksurfistas é que levarão até lá?

O Team da Costa Oeste dos EUA é muito forte e coeso. Nós esperamos sempre chegar às finais. Para o ano, estaremos todos em Mundaka. Nós temos alguns aspectos singulares que nos distinguem das demais selecções. A nossa política de equipa em que cada elemento tem o seu lugar, traz-nos por vezes algumas desvantagens porque não colocamos – como fazem as outras equipas – os nossos melhores elementos nas a competir simultaneamente em diferentes categorias. A nossa política é levar sempre o maior número possível de participantes. O nosso capitão de equipa e o treinador, na realidade, não têm o poder de dizer quem é que vai ou não vai surfar. Assim que fazes parte da equipa, tens a tua voz. A partir daí, todas as principais decisões da equipa, são votadas democraticamente.

“O Team da Costa Oeste dos EUA é muito forte e coeso. Nós esperamos sempre chegar às finais.”


E achas que a experiência das águas bravas é necessária para o kayaksurf ou pensas que, por exemplo, a prática do surf com prancha é melhor para progredir neste desporto?

Durante o meu percurso na canoagem, eu evoluí de um kayak de rio, para um surfkayak IC e depois para um HP. Eu não sei se é melhor começar pelas águas bravas ou pelo surf para chegar ao kayaksurf. Os surfistas têm uma melhor noção das ondas mas os canoístas de águas bravas têm uma esquimotagem mais apurada. Eu ainda faço algumas águas bravas, apesar de ter desistido das classes V… acho que fiquei um pouco assustado no “Cherry Creek” há uns tempos atrás e foi isso que me fez desistir dessas classes. Quando era mais novo, fui guia nas “Epic Adventures” da Califórnia. Era mesmo à moda antiga. Estamos a falar de kayaks como o Perception Dancer. Tanto eu como os outros guias, fizemos a maioria dos rios aqui à volta e sempre que nos deparávamos com um rápido mais assustador, eu era sempre aquele que mais tempo demorava a estudar o rápido. Talvez o quisesse fazer da forma mais rápida e por isso, até me chamavam “the Probe””. No entanto, posso dizer, com experiência, que há poucas coisas tão assustadoras como nadar num rápido Classe V. Depois daquilo, pouca coisa me assusta no mar.



Dave a surfar em Santa Cruz - Califórnia


Que kayaks te serviram como escola até chegares ao kayaksurf?

Mega Jester Cyclone e Perception Sabre

Eu passei de um Perception Dancer, para um Sabre e depois para um Mega Jester. Depois veio o Mega Titan – com o qual ganhei o campeonato no Brasil – e daí passei para o Mega Cyclone (que ainda tenho). Ao longo dos tempos, ganhei a reputação de levar aos limites os meus kayaks porque gostava sempre de tentar sacar uns aéreos com eles. Os surfkayaks mais longos não davam par isso. Os kayaks mais pequenos têm melhores características estruturais e podem manobrar-se de uma forma mais rápida de forma a evitar maiores tombos. Dão-nos mais gozo, são mais fáceis de controlar e mais leves para manobras aéreas. Os designs dos HP estão constantemente a melhorar. Nunca houve tantos modelos de surfkayaks como hoje.

E como vês a evolução - cada vez mais rápida - para essas manobras aéreas?

Eu tento sempre sacar manobras aéreas porque são as que me dão mais gozo. A minha melhor manobra é conseguir esquimotar enquanto faço a parede e prosseguir ou sacar um 180º aéreo. No geral, penso que ao nível das provas, quanto mais manobras aéreas conseguires fazer, mais pontuação terás. Mas tudo depende da onda. Tu tens que surfar a onda e deixares-te fluir com ela. Não vale a pena focares-te numa manobra em particular. Tu podes sacar uma grande manobra enquanto “danças” com a onda e esse deve ser o objectivo.

Este ano, em Mundaka (tal como nas outras edições), os júris da prova eram surfistas de prancha. O que achas desta ideia – também defendida por Darren Bason – em recorrer ao pessoal do surf para ajuizar prova de kayaksurf?

Os surfistas de prancha também estão aptos para nos julgar e, pessoalmente, acho que são excelentes júris. Geralmente, são imparciais porque não conhecem os competidores.

Qual é, para ti, o melhor kayak para surfar?

Os surfkayaks HP que mais gosto são o REACTION e o TWIST da Murky Waters. Também gosto do MEGA NEUTRON. Estes surfkayaks são excelentes para obter velocidade, surfar e conseguir manobras aéreas. Para manobras de rodeo, os kayaks de DICK WOLD são os melhores. Ando agora a tentar trocar o meu MEGA CYCLONE por um novo MEGA (dos mais longos) que tenha uma base mais rasa.


TWIST e REACTION da MURKY WATERS e NEUTRON da MEGA SURFKAYAKS


Tens algum kayaksurfista que admires mais pelo seu estilo e/ou técnica?

Os tipos que eu sempre admirei e que mais derrotas me provocaram em competições passadas, foram o Ken King e o Dick Wold. Estes dois ganharam-me mais do que quaisquer outros. Actualmente, os mais duros competidores por aqui (EUA) são o Jeff Burlingham, Vince Shay, Demany Smith, Rusty Sage e o Ken King, apesar de que, felizmente, o Kenny já não compete com tanta frequência. Para além destes, há outros atletas que estão puxar os limites ao máximo e que ninguém quer ter nos seus heats como o Darren Bason, Chris Harvey, Dessie McGlinchey, James Hawker, Edu Etxeberria e o Jonny Bingham (que ainda é o campeão do mundo). Olhando para todos estes craques, eu acho que gostaria de reunir uma combinação entre as manobras do Rusty e o estilo do Kenny.


“… gostaria de reunir uma combinação entre as manobras do Rusty (Sage) e o estilo do Kenny (King).”


Qual foi o melhor spot em que já surfaste até hoje?

Aqui em Santa Cruz, Califórnia, temos alguns dos melhores spots do circuito mundial. Provavelmente, há 100 “surf spots” a cerca de meia hora de carro da minha casa. Habitualmente, surfo a costa norte de Santa Cruz porque há menos pessoal na água e as ondas são maiores. Davenport Landing, Scotts Creek e Steamer Lane são os meus locais de eleição. No Inverno, estas praias podem estar com ondas até 6, 7 metros. Como pontos menos atractivos, temos o excesso de surfistas, a água fria e os tubarões. Apesar de eu nunca ter visto nenhum, nós sabemos que eles anda por lá. Só esta ideia acerca dos tubarões, afasta logo as multidões.


Dave Johnston


Por falar em tubarões, qual foi o maior susto que apanhaste no mar?

O maior susto que apanhei enquanto surfava foi um dia após uma tempestade numa maré-cheia em que as ondas estavam a quebrar com mais de 3 metros. A minha pagaia foi arrancada da minha mão quando uma onda enorme se fechou sobre mim. Depois de esquimotar duas vezes com as mãos e de ter levado com o set, dei por mim a olhar para as rochas aguçadas na base de uma falésia enquanto se aproximava uma parede enorme de água. Eu remei com as mãos em direcção à onda e ela apanhou-me e projectou-me para cima dos rochedos. Todos pensaram que me tinha aleijado a sério mas só fiquei com uns arranhões. Eu acho que tenho tido uns sustos a sério naquele spot onde já fui projectado contra os rochedos e parti alguns waveskis e kayaks. Ainda este ano tive medo, não por mim, mas por alguns dos meus clientes. Eles estavam numa actividade de observação de baleias com kayaks quando uma enorme baleia cinzenta saltou para fora da água e mergulhou a escassos 3 metros deles. Quase que os esmagava. A água cobriu-lhes os kayaks. Tiveram sorte em não se aleijar ninguém. Após este episódio, reformulámos os nossos programas e informações acerca desta actividade.

Conhecias o kayaksurf.net?

Eu gosto do kayaksurf.net. Tem muitas e boas entrevistas com grandes fotos.

Obrigado Dave! Encontramo-nos em Mundaka!


Dave Johnston (1º) e Jonny Bingham (2º) - Final da World Cup - Outubro 2006 / Peniche







DAVE JONHSON VIDEO




SPONSORS DE DAVE JOHNSTON


MURKY WATERS / SEALS SKIRTS / WERNER PADDLES

Trabalho publicado em 9 de Dezembro de 2006

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - www.foto-reportagem.com + John Bonaventure + kayaksurf.net

PÁGINA PESSOAL DE DAVID JONHSTON - www.kayaksantacruz.com






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