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Nathan Eades
Pelas ondas do Equador e Peru
Nathan a voar nas ondas do Equador / Foto: Marc Holland |
É já uma das clássicas entrevistas no kayaksurf.net. Já falámos com o galês Nathan “yellowboy” Eades 4 vezes e sempre por grandes motivos. O Nathan é o verdadeiro papa-léguas em viagens por este mundo fora. E sempre à procura do melhor spot para surfar. Logo na primeira entrevista que nos deu (2004), já andava pelas ondas de Teahupoo no Tahiti. Depois dessa viagem, outras tantas já fez e sempre com grandes fotos e reportagens publicadas. E é disso que Nathan mais gosta. Este professor de Desenho e Tecnologia, continua a viver no país onde nasceu (Gales) mas só alguns meses por ano. Hoje, aos 26 anos de idade, pode orgulhar-se de já ter surfado em alguns dos paraísos mundiais do surf mas… está sempre à procura de um ainda melhor! Considera-se um “viajante” e não um competidor. Aliás, vem este ano a Portugal participar no mundial porque “é uma boa desculpa para encontrar amigos”. O motivo de mais uma conversa com Nathan, foram os 4 meses que em que andou a surfar com a namorada, Naomi James, pelo Equador e Perú. Outros nomes conhecidos foram ter com ele e passar umas semanas: Marc Holland (País de Gales), Joey Hall (EUA-Este); Rob Hearn (Jersey) e Pete Blenkinsop (Inglaterra).
www.kayaksurf.net - Olá Nathan, para começar, a pergunta do costume: depois de Teahupoo em 2003, Sri Lanka em 2007, Marrocos em 2008… Equador em 2009! Diz-nos… quando te surgiu a ideia desta nova viagem?
NATHAN EADES – Nós andávamos à procura de um destino que nos proporcionasse ondas consistentes e que, ao mesmo tempo, tivesse poucos surfistas para que pudéssemos surfar e filmar à vontade. Claro que a qualidade e o tamanho das ondas era um factor determinante e, durante Novembro e Dezembro, as ondas no Equador são muito boas!! Durante Novembro, não tivemos um único dia sem ondas mas sim grandes dias de surf. Como o Equador é pouco frequentado por surfistas viajantes, praticamente surfávamos sempre sozinhos! O Equador foi só a parte inicial da viagem porque o Joey Hall e o resto do pessoal partiram para casa em Dezembro. Eu e a Naomi ficámos por lá até ao ano novo e depois, seguimos viagem para sul até ao Peru.
Quais os objectivos desta viagem… só surfar ou o projecto do filme era considerado “trabalho”?
O Joey é que teve a ideia de ir para o Equador para filmar mais material que servirá para o filme de kayaksurf “Interference” – que espero que esteja quaaaaaaaaase pronto. O Joey é um bocado perfeccionista e quer que tudo esteja muito bom (do que já vi, está muito bom e estou ansioso para ver o resto!). Para além deste projecto, o Joey também nos pôs a trabalhar que nem uns doidos para produzir o seu próximo DVD: “Interfence Instructional Surfkayak Vídeo”.
Rob Hearn, Joey Hall, Marc Holland e Nathan Eades / Foto: Naomi James |
E no Equador… por onde andaram a surfar?
Nós surfámos em vários spots mas o pico que mais frequentámos foi o “Ayampe”. Era uma praia muito boa para nós; formavam-se umas paredes altas que fechavam só no final e que davam grandes “rampas” para sacar uns aéreos. O nosso único erro foi que gostávamos tanto de andar dentro de água nesta onda que até nos esquecemos de fazer umas fotos. É por isso que nem uma temos dessa onda! O Marc Holland estava a sacar uns bons aéreos e o Rob Hearn a surfar em grande mas, infelizmente, não sacámos nenhumas imagens. Mas no final, o que interessa numa viagem como esta é surfar boas ondas com os amigos e não andar sempre preocupado com as fotografias.
Ayampe no Equador - um dos melhores spots |
E os locais, receberam-vos bem?
O que se passa como este país Luís, é que como o Peru e o Chile têm tanta fama de boas ondas, o Equador parece ficar esquecido pelos surfistas. Como tal, não há muita gente nas ondas e o ambiente é muito descontraído.
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As melhores recordações que guardas desse país e das suas gentes…
Ficar em “Finca Punta Ayampe” numas cabanas muito fixes com a selva nas traseiras e o mar como paisagem. Levantávamo-nos todos os dias às 6 da manhã para ver da varanda se havia ondas antes de nos fazermos a mais uma sessão de grande surf! Foi o Joey que descobriu aquele spot e graças a ele, temos mais um destino incrível para surfar.
Tu andaste por lá com um surfkayak da Riot. Gostaste de surfar com o Ninja?
Bem, essa é uma história que não teve um final feliz. O barco com que andei a surfar no Equador foi de facto o Ninja 7’6” desenhado pelo Spencer Cook. Era um kayak fantástico mas, infelizmente, a Riot entrou em ruptura e a produção do Ninja simplesmente parou. É um verdadeiro desperdício de um grande design mas espero que o Spencer encontre uma solução para tentar compensar todo o tempo que gastou a desenhar este e os outros kayaks: o Ninja 6’8” e o Sword IC. Seria uma verdadeira perda se a comunidade do kayaksurf não conhecesse estes surfkayaks.
Nathan a surfar o Ninja 7'6 da Riot |
Então com que material andas a surfar agora?
O equipamento da Nookie: tenho muita sorte em ter o apoio deles há mais de 10 anos! Mesmo antes de ser patrocinado pela Nookie, sempre usei o material deles. Neste momento, ando com o saiote“ Nookie Deck Surf” e com a Lycra “Ti Vest”. Esta combinação não permite qualquer entrada de água mas, para ser franco, qualquer produto como a marca da Nookie, irá servir qualquer um muito bem e por muitos anos!
Pagaias: Robson. Ando com a “Fluid” que é muito semelhante à “Chili” mas é mais flexível e menos dura para os punhos.
Waveski da Atlantic: o pessoal da Atlantic faz grandes waves e, para todos os que estão a pensar em experimentar um wave, visitem os modelos da Atlantic.
Shred Ready: Ando com o modelo Sensu. Encaixa muito bem na cabeça e não me foge dela sempre que dou uma queda. Recomendo-o a qualquer kayaksurfista. O novo modelo deles (Standard) é muito bom para o pessoal dos rios!
E sobre esse waveski… grandes aéreos!
Eu já ando com o waveski desde que cheguei do Sri Lanka onde conheci o Steve Chivers. Nós trocámos contactos e ele emprestou-me um wave dele por uns meses até que estivesse convencido a comprar um. A Riot enviou-me o surfkayak para o Equador e eu decidi levar o wave. Eu adoro surfar com o waveski. Acho-o com mais velocidade do que um surfkayak, mais rápido a virar e deixa a onda muito mais facilmente. Também foi bom porque me bronzeei nas pernas nesta viagem. Não me interpretem mal, eu adoro surfar de kayak mas ponho-me a pensar: já que os surfkayaks e os waves são tão parecidos, todos deviam experimentar os dois. Afinal, ambos usam uma pagaia.
O Waveski Atlantic fez as delícias de Nathan |
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"... já que os surfkayaks e os waves são tão parecidos, todos deviam experimentar os dois.
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E agora… a velha questão de sempre… tu já surfaste em inúmeros destinos (Brasil, País Basco, África do Sul, Tahiti, EUA, Costa Rica, Sri Lanka, Portugal, Marrocos). Agora, depois desta surf trip (mais uma), qual a melhor viagem de sempre?
Desta vez estou perto Luís, estou mesmo perto de te dizer que, sim, é verdade, encontrei o meu destino favorito para surfar. Eu passei tão bons momentos nesta viagem que não me canso de falar sobre o Equador. Isto para não falar nos dois meses que depois passámos a surfar no Peru. Longas esquerdas desde a fronteira por toda a costa até Lima, até chegarmos a picos tão clássicos como Lobitos, Pecines, Los Organos e Chicama. A América do Sul é super barata, fácil e muito amigável para se viajar. Oferece-nos bom clima e um surf muito muito consistente com montes de espaço para encontrares a tua linha. Nestes quatro meses, só vimos uma pequena parte do que aquela região tem para oferecer por isso, já estamos a pensar numa nova viagem até lá! Agora se é a minha viagem favorita, eu ainda sou muito novo para parar de viajar Luís e, enquanto o fizer, não te posso responder a essa pergunta. Mas, se andam à procura de um destino para surfar, o Equador e o Peru devem estar sempre no topo da vossa lista.
Imagina que eu quero então viajar para o Equador… que conselhos me darias?
Aprende algum castelhano!! Eu desenrasquei-me um bocado durante a viagem mas arrependi-me de não ter frequentado um curso nocturno de espanhol. Irás encontrar muita gente que fala inglês mas viajar, é conhecer pessoas e é sempre frustrante encontrares pessoas muito fixes e não conseguires comunicar em condições com elas! Tal como em todos os países desenvolvidos, está sempre atento ao material que trazes. Eu não achei que o Equador ou o Peru tivessem pessoal “suspeito”… mas basta estares atento e tudo correrá bem!
As melhores recordações que vais guarder destes quarto meses…
Surfar, comer iguarias deliciosas, bronzear as pernas, conhecer pessoas muito fixes, andar de waveski, viajar com a Naomi, ficar completamente “out” na noite de passagem de ano, as sessões em Ayampe e ficar a conhecer uma cultura magnífica!
Naomi James, companheira de Nathan, a surfar em Ayampe |
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Expectativas para o Mundial deste ano em Portugal…
Encontrar-me com o pessoal da Irlanda do Norte, “Ozzie Bason” entre outros. Apanhar muitas ondas. Estar contigo e com o André (Pinto) e divertir-me bastante.
Últimas palavras…
A vida é curta demais para andarmos a poupar para a reforma. Para além disso, não conseguirás surfar com 65 anos, então, há que gozar agora e trabalhar quando fores mais velho!
Bom final... Obrigado uma vez mais Nathan e até ao Ocean Spirit!
Nathan Eades numa pausa antes de fazer ao caminho |
See you in Santa Cruz! |
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Trabalho publicado em 17 de Junho de 2009
Texto - Luis Pedro Abreu
Fotos - Marc Holland + Naomi James

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