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:: GOLTZIANA / WAVYAK ::












Eduardo Traveira / JP Simões

WAVYAK - A APOSTA SURFISTA DA GOLTZIANA


É uma entrevista a duas vozes. Eduardo Traveira, fundador e gerente da Goltziana Kayaks e João Paulo Simões, elemento da nossa News Team e designer do Wavyak, falaram para o kayaksurf.net. O mote, claro, é a nova investida na área do kayaksurf por parte da Goltziana. Depois desta entrevista ficámos a saber que Eduardo Traveira já se tinha aventurado no desenho de um surfkayak nos anos oitenta mas hoje, vê o kayaksurf com outras potencialidades. J.P Simões desenvolveu o Wavyak e, depois de um primeiro protótipo testado na Figueira da Foz, resolveu desafiar a Goltziana para a sua produção. Graças à reconhecida experiência de Eduardo Traveira como shaper, o Wavyak depressa evoluiu para um molde. Hoje, apresenta-se como um híbrido entre um surfkayak e uma prancha de wave-ski e é aqui que assume a sua originalidade. Ambos apostam na internacionalização do modelo e, já no circuito nacional de kayaksurf deste ano, teremos Wavyaks nas ondas.

Eduardo Traveira

www.kayaksurf.net - A Goltziana foi fundada em 1979… o Wavyak é vosso primeiro surfkayak?

EDUARDO TRAVEIRA – Esta não é a primeira incursão da Goltziana nos surfkayaks. Antes de iniciar a empresa em 79, eu fazia surf e era atleta de competição de canoagem. Os primeiros veículos de andar nas ondas que fiz foram respectivamente pranchas de surf e kayaks de competição. Passados 3 ou 4 anos quis transportar o que se fazia no surf para a canoagem. Construi um sit in, que toda a gente apelidava de chinelo e “shapei” um sit on top para poder surfar ondas maiores. Estes kayaks tiveram bastante sucesso na altura e venderam-se bastante para o que era o mercado da canoagem na altura. Depois este entusiasmo morreu um pouco e passaram-se anos sem se ouvir falar no kayaksurf, até à pouco tempo. De facto esta segunda vaga de interesse, é recente, mas é apoiada por outros meios que suportam a modalidade de uma maneira mais consistente que há 25 anos atrás não seria possível. A internet, a televisão, a maturidade dos construtores, o próprio interesse das pessoas e o facto de estarem todas ligadas, são factores que dão corpo à modalidade actualmente. Achámos que agora seria a altura ideal para continuar o que tinha sido começado há 25 anos atrás.

Como surgiu o projecto Wavyak?

Este projecto surgiu de um contacto que tivemos com o João Paulo Simões. Eu tinha já há algum tempo a intenção de fazer alguma coisa para poder ir fazer companhia ao pessoal que agora começou a “crowdear” alguns picos da Figueira. O problema é que, com o desenvolvimento do fabrico dos kayaks de mar para o estrangeiro, o tempo que eu iria despender a fazer um kayak não comercial era preciso na fábrica e fui adiando o dia em que começaria a fazer um sit on top de surf para mim. Curiosamente nunca pensei no sit on top que iria fazer para mim, num produto comercial.Fui contactado pelo JPS, que me apresentou o seu projecto de um sit-on-top de surf, descrevendo-me o seu próprio conceito e mostrando-me o seu protótipo, construído artesanalmente. Depois de testado, chegou-se à conclusão que, apesar de algumas alterações a fazer, o projecto tinha grande potencial. O que nos fez abraçar o projecto, foi o burburinho que o JPSimoes criou com o conceito. Ele foi criando um interesse á volta do projecto que não podia ser ignorado, não só em Portugal, mas o mais importante: lá fora! Ele criou um interesse muito grande e deu o primeiro passo e isso foi preponderante para nós como construtora de kayaks, pegarmos no conceito e, em parceria com o JPS, desenvolvê-lo.



Eduardo Traveira a surfar um Wave na Carrapateira em 1983 / João e Inês Traveira em 84 junto ao 1º surfkayak da Goltziana




Depois deste primeiro modelo apresentado da Session, podemos contar com novos surfkayks da Goltziana?

Neste momento além do Wavyak, já tenho pronto para fibrar um sit on top, vocacionado para os kayaksurfistas mais conservadores, podemos até estabelecer um paralelismo ao “soulsurfing”. È um surfkayak mais comprido e um pouco mais largo que vai funcionar muitíssimo bem em ondas mais cheias e compridas. Vai ser mais rápido que o Wavyak mas não vai ser tão manobrável. Voltando às analogias, o Wavyak é uma shortboard e o novo kayak é uma Malibu. É um kayak que vai funcionar a 100% em Buarcos. A grande vantagem deste kayak é mesmo o comprimento, e o shape. Vai entrar mais cedo na onda e a velocidade que ganha faz passar aquelas secções mais rápidas.

Há quatro construtores nacionais a investir em surfkayaks... temos mercado para tanto?

Eu acho que os mercados se vão criando à medida das necessidades das pessoas que compram e das que vendem. Hoje em dia, o mercado em que os construtores nacionais operam é o Mercado Global. Isto traz a suas vantagens e desvantagens. A grande vantagem é que desta maneira as vendas são superiores, o que permite a viabilidade da empresa. Se os construtores Portugueses estivessem limitados ao Mercado nacional haveria espaço para um ou nem isso. A grande desvantagem num Mercado global é a concorrência, em vez de termos 3 concorrentes, temos tantos que nem sabemos quem são. No entanto, este aspecto é a principal força motriz do desenvolvimento da empresa e da qualidade. Numa situação de concorrência global, sobrevivem os mais aptos. Temos que ser melhores que os outros todos, construir com mais qualidade, apresentar produtos bem desenhados e desenvolvidos. Quando pegámos no projecto não estávamos a pensar somente no mercado nacional como é óbvio. Felizmente a Goltziana tem um circuito bem definido de distribuição um pouco por todo o Mundo e a finalidade é distribuir aí o Wavyak. A nível do mercado nacional, achamos que dentro do universo reduzido de compradores, há lugar para todos uma vez que cada um construi com uma filosofia diferenciada. Nós temos um segmento de Mercado bem definido, assim como a maioria dos construtores nacionais, vamos continuar a construir tendo em vista um determinado público. O mercado nacional está em plena expansão e creio que, no futuro, o volume de vendas associado ao mercado interno vai aumentar uma vez que há um conjunto de iniciativas que desenvolvem a modalidade. O comprador nacional tem ao seu dispor produtos que vão de encontro às exigências do Mercado internacional.



Traveira junto a um velhinho "chinelo" produzido na década de oitenta pela Goltziana



A Goltziana apoia a Kayaksurf Session desde a sua primeira edição. Que balanço faz desta iniciativa?

O balanço é francamente positivo. Confiamos plenamente nas capacidades dos organizadores do evento. Têm feito um trabalho notável na divulgação do kayaksurf em Portugal e o facto é que do ano passado para este ano, o número de participantes aumentou. Para nós este é um bom investimento, para além de contextualizar a nossa re-entrada no kayaksurf como construtor, não nos podemos esquecer que é um evento para canoistas que não se limitam ao kayaksurf e que investem noutro tipo de embarcações.

Como vê a evolução do kayaksurf nacional?

Houve um grande salto de há 5 anos para cá. O facto de haver um maior número de canoistas de águas bravas de há uns anos para cá, fez com que as manobras e o à vontade em situações mais radicais fossem transpostas com alguma facilidade para a ondas. Ainda não tive oportunidade de ver ao vivo os melhores do mundo, mas os nossos atletas já surfam bastante bem. O Paulo Lopes, o André Pinto e a turma do Calado, são uma referência no panorama nacional e são exemplos a seguir pela malta que se inicia na modalidade. Acho que ainda há margem de manobra para evoluírem nas manobras aéreas e no tamanho de ondas surfadas. A nível da iniciação, acho que a evolução terá que passar pela formação. A esquimotagem é a base do desporto e hoje em dia existe dificuldade em aprender a técnica, assim como todos os movimentos básicos, cuidados a ter, etc. A evolução a que se assiste hoje em dia é fruto de um esforço individual e quase autodidacta. A evolução do desporto passa impreterivelmente pela captação e formação de canoistas.



JP Simões e Eduardo Traveira na Kayaksurf Session aquando da apresentação do Wavyak



E em relação à evolução mundial no design dos surfkayaks?

A evolução do design dos surfkayaks passa muito pela evolução nas pranchas de surf. A evolução no design teve que acompanhar a evolução do desporto e principalmente das manobras. Antigamente o surfkayak resumia-se a surfar a onda sem qualquer tipo de manobras como as que se vêm hoje em dia. O design dos kayaks actuais espelha o grau de desenvolvimento do desporto. Assim que o conceito do volume óptimo foi resolvido, penso que as variáveis a ter em conta são o rocker e os rails. À semelhança das pranchas de surf ao longo dos tempos, tem havido uma variação do rocker. Tenho visto kayaks feitos por marcas especializadas que, na minha opinião, têm rockers exagerados. Tornam os kayaks mais lentos, mais difíceis de apanhar a onda, no entanto, são bastante manobráveis. Penso que tanto rocker não será necessário para haver um compromisso entre a velocidade e a manobrabilidade. Os rails têm muita responsabilidade aliados a um rocker menos acentuado. No Wavyak, transpusemos para o kayak um pouco do design dos rails dos bodyboards, aliados a um rocker estudado para não comprometer a velocidade e a permissividade, à semelhança das pranchas de surf actuais e também o aspecto dos rails passarem de quinas vivas para uma superfície quase redonda ao longo do comprimento do kayak. Penso que haverá também alguma progressão a nível do design, mas não muita até porque não se vão inventar muitas mais manobras que justifiquem uma mudança muito acentuada.



WAVYAK



Planos futuros para a Goltziana na área do kayaksurf...

Tendo o segmento de mercado individualizado, vamos continuar a trabalhar no fabrico de sit-on-tops de iniciação e performance. Vamos refinar o Wavyak, produzir o surfkayak mais comprido e vamos produzir uma versão júnior do Wavyak, para começar a captar e formar jovens para a modalidade. Pensamos que não valerá a pena enveredar pelo fabrico de sit-ins, uma vez que já existem bons construtores, com nome e a investirem bastante e, uma vez que um grande número de praticantes terá de começar com os sit on top, comercialmente é bastante mais atractivo.




"A versão disponível em fibra de vidro vai para 600 euros, já equipada."








E quem quiser comprar o Wavyak... qual o preço e prazos de entrega?

Quem quiser comprar o Wavyak, poderá experimentá-lo aqui na Figueira. Vamos ter a versão de fibra de vidro, e Kevlar e carbono. Esta última versão terá a particularidade de ser uma inovação em termos de construção, da qual daremos conta oportunamente. Ainda não temos o preço desta versão, pois ainda estamos a desenvolvê-la. A versão disponível em fibra de vidro vai para 600 euros, já equipada. O processo de fabrico foi optimizado e simplificado para despender o mínimo tempo possível, por isso demora cerca de uma semana a entregarmos o kayak uma vez que não fazemos só kayaks de surf. As cores podem ser customizáveis, assim como alguns acessórios como finca pés, a colocação de cinto, ou finca joelhos e patilhões.



WAVYAK - Todas as opções são possíveis!



Passemos agora à conversa com João Paulo Simões. Elemento colaborador do kayaksurf.net desde a sua primeira hora, JP Simões já pratica kayaksurf há vários anos. Nunca satisfeito com os kayaks com que entretanto surfava, sempre ia dizendo que, um dia, ainda ia criar o kayak perfeito para surfar. E ele aí está! Baseado na sua própria experiência e na investigação que efectuou ao longo dos dois últimos anos, esboçou pela primeira vez nas areias do Cabedelo o que hoje sai para o mercado como… Wavyak.


JP Simões

Como nasceu o Projecto Wavyak?

Do facto de não encontrar no mercado o surfkayak dos meus sonhos!

Ou seja?

Um kayak “user friendly”, leve, veloz, manobrável e, muito importante, sit-on-top e anti-fisioterapia! Estas qualidades são fundamentais para quem se inicia no kayaksurf. Não é fácil captar entusiastas e fazê-los sentir à vontade fechados num cockpit em plena rebentação, assim como não é fácil pagaiar meia hora e necessitar de um fisioterapeuta para recompor as costas devido ao desconforto anti-natura de alguns kayaks. Eu sempre defendi que o surf é prazer, logo, o kayaksurf não deverá ser sacrifício!

E como se chegou à versão definitiva do Wavyak?

Bom, não há uma versão definitiva do Wavyak, visto que está prevista a evolução ao longo do tempo. Mas tudo começou numa conversa entre mim e o entrevistador (LPA), num dia de montanhismo, falando de kayaksurf e de modelos… num impulso decidi desenhar e construir um surfkayak à minha medida! Depois foi tudo muito artesanal no meu sótão, com um bloco de placas de roofmate (!!!), utensílios de cozinha e a ajuda preciosa do outro crente do projecto, o Carlos Peixoto. O resultado desta experiência caseira foi um protótipo, que surfou pela primeira vez no Verão de 2007 (VIDEO AQUI !). Nesta fase havia já uma observação atenta da Goltziana. Fui trocando impressões e confrontando ideias com o Eduardo Traveira e o projecto avançou para a fase seguinte, a construção da versão comercial do Wavyak, desta vez numa parceria oficial com a Goltziana. Nos últimos seis meses desenhei o Wavyak agora apresentado, o Eduardo Traveira aplicou-se como grande shaper e construtor que é e… eureka!

E a partir de agora?

Estamos em plena fase de lançamento e promoção do modelo. O nosso objectivo é levar o Wavyak às praias, às comunidades de praticantes de kayaksurf e waveski, em Portugal, mas sobretudo em alguns países com grande tradição e enorme potencial nestas áreas. Em Portugal, para além da participação no Circuito Nacional de Kayaksurf 2008, a Goltziana irá promover uma série de iniciativas de divulgação do Wavyak e do kayaksurf/waveski, uma espécie de tounée de Verão!





Disseste waveski?!

Sim. É preciso explicar bem o conceito Wavyak. A originalidade do modelo está em poder ser visto como um surfkayak sit-on-top ou como um waveski desenhado para iniciação, com um centro de gravidade baixo. E o objectivo é mesmo esse, a versatilidade e a facilidade de utilização por um público mais vasto.

É óbvia a preocupação do vosso projecto em relação ao design mas... achas que há muito mais a inventar nesse campo?

Há quem diga que já está tudo inventado no kayaksurf e nos kayaks em geral. O Wavyak contraria esta teoria! (risos). Mas eu acredito firmemente que já não haverá grandes saltos em frente em termos de conceitos e de designs. O futuro está, por um lado, na combinação de um bom design com um rocker e um rail desenhados de acordo com o que se pretende em termos de velocidade e manobra e, por outro, na evolução dos materiais compósitos, das pinturas e dos métodos de construção.




"Começando pelo panorama nacional, aponto desde já um erro de estratégia,

a colagem do kayaksurf à Federação Portuguesa de Canoagem"









Kayaksurf em Portugal e lá fora…

Começando pelo panorama nacional, aponto desde já um erro de estratégia, a colagem do kayaksurf à Federação Portuguesa de Canoagem. Sempre me manifestei publicamente contra. E os factos dão-me razão, até pela resposta a uma simples pergunta: onde tem estado a FPC no que toca ao kayaksurf? Em nenhum lado! Nada que se veja! Não há divulgação, formação entre os mais novos, captação… enfim, o esperado. Mas, este deserto leva-me ao segundo ponto de análise: competição versus lazer! A meu ver o kayaksurf nacional precisa muito mais de pessoas a praticar nas praias do que os habituais 20 ou 30 inscritos nas provas do Circuito Nacional. Veja-se o exemplo do FFoz KS Session, atrai muito mais gente à praia do que qualquer prova! Considero mesmo que a competição veio perverter um pouco o acesso à modalidade, encarecendo o material e levando-o para conceitos mais próximos dos campeonatos internacionais do que da realidade das nossas bolsas. Como é que se convence o comum dos mortais a aderir a uma modalidade despendendo logo à partida mais de mil euros em material?!





Sim, mas que alternativas apresentas para esses problemas?

Há que democratizar e levar os surfkayaks ao maior número de praias. Há também que trabalhar na divulgação junto dos infantis e juniores, junto dos clubes de canoagem, remo e vela… Resumindo, há quatro construtores de surfkayaks em Portugal, há meia dúzia de praticantes de classe mundial, mas o resto do trabalho está por fazer. E lá fora o panorama não está melhor. Se analisarmos a evolução da lista de inscritos nas últimas seis provas mundiais, veremos que são quase sempre os mesmos. Tirando as excepções do Reino Unido, Irlanda e País Basco, não há formação, não há captação dos mais novos. E percebe-se perfeitamente que a estrutura dirigente do KS mundial é um conjunto de pessoas que funcionam como uma família, com muito pouco profissionalismo nas organizações, sem estratégia e visão de futuro. A minha visão desapaixonada do kayaksurf diz-me que o futuro da modalidade está na multiplicação local dos praticantes, mais do que na multiplicação das provas e dos campeonatos internacionais. Em termos de desspel13e tecnologia, já não há muito mais a inventar! Sobretudo depois do Wavyak! Hahahahaha

Obrigado a ambos e todo o sucesso para o Wavyak!





PODE VISITAR AS PÁGINAS OFICIAIS DA GOLTZIANA E DO WAVYAK CLICANDO NAS IMAGENS!







Trabalho publicado em 13 de Maio de 2008

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - NO FRAANGOS PRODUÇÕES







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