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:: JACKIE DILLON ::









Jackie Dillon

Presidente da Associação Mundial de Waveski



Jackie Dillon by Penny Bedford



Aos 53 anos de idade, Jackie é uma das decanas do waveski mundial e, com o Campeonato do Mundo este ano em Portugal, nada melhor do que abrir 2011 com uma grande entrevista. Surfista de prancha desde os cinco anos, começou a surfar de wave aos 19 e nunca mais parou. Hoje, é a enfermeira chefe que dirige um centro geriátrico e disponibiliza grande parte do seu tempo livre à Associação Mundial de Waveski a que preside. Pelo meio, ainda arranja tempo para uma actividade solidária na “Child in Need Índia”. Esta australiana é, aliás, presença habitual há muitos anos nas principais competições internacionais de waveski. Foi vice-campeã nos Waveski Surfing Titles de 99 e 2001, 4 vezes campeã australiana, 15 títulos como vencedora do circuito da costa oeste da Austrália e vencedora na Ilha da Reunião em 2008.

A entrevista que Jackie nos deu é suculenta em informação e demonstra uma atitude digna de quem tem assistido e contribuído activamente para a evolução do waveski a nível mundial. Foi com ela que a Associação Mundial de Waveski (WWSA) estabeleceu o protocolo de colaboração com a poderosa International Canoe Federation (ICF). De acordo com Jackie, o reconhecimento do waveski como mais uma categoria da canoagem, não só veio abrir novas portas para a modalidade, como irá proporcionar mais apoios e mediatismo nos próximos anos - Jackie ilustra bem o que se passou na Brasil em 1999 (ler entrevista). Esta tomada de posição por parte da WWSA só veio confirmar o que o kayaksurf.net defende há anos bem como outros grandes entusiastas do waveski mundial.

Quando questionada sobre o nosso formato de circuito – em que se disputam kayaksurf e waveski – a sua opinião não podia ser mais positiva. Jackie refere, inclusivamente, que aprecia bastante os atletas que dominam as duas modalidades e destaca vários exemplos na entrevista. Aliás, a atitude mentecapta dos que ainda fazem questão em dividir as duas modalidades num tom depreciativo, cai aqui totalmente por terra quando vemos nomes e organizações mundiais a defenderem precisamente a união entre as duas formas de surf. Simples. Claro que é preciso inteligência para uma tomada de posição como esta…

Ao longo da entrevista, a presidente da WWSA dá-nos igualmente algumas explicações sobre o formato de prova que irá caracterizar o Mundial de Waveski a realizar-se no nosso país durante o Ocean Spirit Festival deste ano (desculpem os estrangeirismos neste contexto mas temos que aplicar os mesmos termos ingleses). A expectativa sobre o evento é muita e Jackie mal pode esperar pelo dia em que virá surfar em Portugal. O mais próximo que surfou do nosso país, foi no Pais Basco no Mundial de 2001 organizado por Luis Abando. No final desta conversa, fica a nítida sensação de que estamos na presença de uma apaixonada pelo desporto. Jackie anda, inclusivamente, a treinar sob a orientação de Steve Foreman – antigo preparador da hepta campeão mundial de surf, Layne Beachley. Contudo, quando veste a pele de presidente da WWSA, não se coíbe de lançar até alguns reparos à nova geração de riders... se quer saber mais, leia a entrevista!


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kayaksurf.net - Olá Jackie… quando começaste a surfar de waveski?

JACKIE DILLON - Eu tive uma lesão duríssima num joelho em 1976 e, na recuperação, comecei a surfar num waveski - foi aí que comecei até aos dias de hoje. Nesses tempos, os waveskis tinham um enorme fino central, “foot straps” em plástico, sem cintos, sem bancos e surfávamos com a pagaia presa por um fio ao wave. Bem que me lembro do que poderia acontecer quando o waveski se virava e eu com o pé preso ao "foot strap" em plástico.

Já alguma vez surfaste em Portugal?

Não, ainda não. Provavelmente, o mais próximo que surfei de Portugal, terá sido em Bakio no Mundial de Waveski em 2001.

E kayaks… alguma vez tentaste surfar?

Eu já me sentei num kayak e fiquei literalmente paranóica só de pensar que ficaria ali presa se o kayaks de virasse – talvez eu me tente de novo em Portugal. O kayaksurf aqui em Perth começou com praticantes oriundos da canoagem; talvez assim tenha mais possibilidades de experimentar.

A tua experiência competitiva remonta a 1986. E hoje, ainda competes?

Eu ainda faço competição embora seja mais selectiva sobre os eventos em que participo. Eu detesto o frio e tenho tendência a participar nas competições que se realizam em condições mais quentes. Uma das provas que assinalo como “não posso faltar” no meu calendário, é na Nova Zelândia. Realiza-se todos os anos na altura da Páscoa em Gisborne (Costa Este da Nova Zelândia).

As “State Rounds” na costa ocidental da Austrália são competições fantásticas e procuro participar também todos os anos. Para além da prova, gosto de estar com os meus três amigos (The Three Amigos - Richie Croome, Eric Tocock e Rob Borg). Não há nada como uma boa grelhada e umas cervejas fresquinhas no fim de um dia de prova. Agora, estou ansiosa pelo Mundial de Portugal. É impressionante como todo o meu calendário de 2011 anda à volta deste evento! Estou a preparar-me para esta prova um pouco mais a sério e tenho até um treinador – Steve Foreman (treinador oficial de Layne Beachley, sete vezes campeã do Mundo em surf). Nada como uma segunda aposta apesar de andar nos cinquentas!!





Agora acerca da Associação Mundial de Waveski (WWSA)… quando foi fundada e quais os seus objectivos?

Ao pesquisar nos arquivos, e partindo do pressuposto de que não estou errada, acho que a associação de formou por volta de 1986. Tenho minutas de reuniões da WWSA desde 1998 porque foi nessa altura em que eu me envolvi mais directamente nos assuntos relacionados com o campeonato do mundo de waveski. Os objectivos da WWSA são, fundamentalmente, promover o desenvolvimento do waveski a nível mundial bem como fomentar as relações internacionais relativamente às competições.

A WWSA mantém algum contacto com a Associação Mundial de Kayaksurf (WSKA)?

Este ano (2010) têm havido pequenos contactos mas imagino que, como em 2011 vamos ter os WWSA Titles em Santa Cruz (Califórnia), teremos mais oportunidades de conversar visto que este é o prestigiado festival de kayaksurf de Santa Cruz. Pelo que sei, faz parte da WSKA pessoal com boa onda por isso, acho que partilhamos todos o mesmo espírito. Eu não sei muito acerca das regras do kayaksurf visto que as regras do waveski foram adaptadas da Associação Internacional de Surf (ISA). Talvez no Mundial de 2011 ambas as disciplinas - waveski e kayaksurf - possam conversar melhor acerca de regras, eventos, etc.





A Associação Mundial de Waveski assinou um protocolo (Janeiro de 2010) com a Federação Internacional de Canoagem (International Canoe Federation, ICF). Explica-nos porque decidiram esta aproximação…

Este acordo que foi assinado em 2010, surgiu após muitas conversas ao longo dos anos, talvez desde 1995. A pressão aumentou bastante para que este acordo se estabelecesse com a ICF desde 1999 (na altura em que organizámos o Mundial de Waveski no Brasil) visto que, tanto no Brasil como em França, os fundos de apoio para a modalidade vêm das respectivas federações de canoagem.

Nessa altura, a sugestão para que nos juntássemos à ICF não era bem recebida porque a maioria dos países – como na Austrália, África do Sul e EUA – alinhavam com o surf. Havia também a noção de que se a Associação Mundial de Waveski se juntasse à ICF, os praticantes de waveski teriam que usar coletes e capacetes. Como consequência desta decisão em não alinhar com a ICF em 1999, o Brasil não se transformou na grande nação do waveski que poderia ser hoje. Tudo indica que o será dentro dos próximos 10 anos. Se a WWSA não mudar a sua actual estratégia de divulgação e marketing, o waveski irá literalmente prosseguir a sua evolução. Da necessidade de explorar as opções, a África do Sul acabou em 1996 por abrir as conversações com a Federação Internacional de Canoagem.

E quais os planos para o futuro?

Os nossos planos para o futuro da WWSA em relação à ICF são muito encorajadores e o entusiasmo é muito positivo em ambas as organizações. Espero que até à realização do Mundial de 2011, possamos ainda efectuar contactos interessantes entre ambos. Tem-se registado um optimismo na WWSA desde que falámos com Simon Toulson (Secretário Geral da ICF) e só se pode construir algo assente neste pressuposto. O crescimento e o desenvolvimento do nosso desporto irão ser largamente sustentados pelo esforço e tempo que cada país irá atribuir ao waveski. Não é uma tarefa fácil porque a nossa modalidade é dirigida por um pequeno grupo de voluntários. O nosso acordo com o ICF permite-nos manter as nossas regras mesmo que tenhamos que proceder a algumas modificações.




Jackie Dillon by Penny Bedford



O kayaksurf.net foi fundado em 2002 e, desde essa data, nunca estabeleceu qualquer distinção entre kayaksurf e waveski – o mais importante é a diversão! (de facto, começámos a entrevistar Babarit e Caroline em 2003). Agora, sabemos que há alguns praticantes de ambas as modalidades que mantêm uma certa atitude em relação a este assunto…

Mmmmmmmm…. bem, só posso falar da perspectiva do waveski visto que os meus conhecimentos acerca de surfkayaks são praticamente zero. No waveski pretendem-se testar os limites de cada um na onda e no surf (seja ele qual for). Há uns meses, tive o privilégio de surfar com o Steve Farthing (Campeão Mundial Masters de Kayaksurf) e achei-o simplesmente espectacular - mesmo nesse dia em que as ondas não estavam nada de especial. Dito isto, eu acho que o waveski é mais emocionante da mesma forma que o sup. Quem está preparado para surfar e decidido a passar os melhores momentos da sua vida, merece todo o respeito por parte dos outros independentemente do material que está a usar.


"Quem está preparado para surfar e decidido a passar os melhores momentos da sua vida,

merece todo o respeito por parte dos outros independentemente do material que está a usar".











Em Portugal (tal como na Argentina, Galiza e Brasil, por exemplo), o circuito nacional corre com kayaksurf e waveski em simultâneo (o atleta pode competir nas duas categorias). Como vês esta estratégia?

Eu considero muito entusiasmante ver waveskis e surfkayaks numa mesma competição porque a exposição mediática é maior. Tal como vimos com Luis Abando, Darren Bason, Steve Farthing e outros tantos que juntaram as duas modalidades; as vantagens têm sido muito positivas. Contudo, ambas as categorias devem competir separadas nesses eventos.

Expectativas acerca do Mundial em Portugal…

Oooooh, muito entusiasmada – eu tenho seguido o Ocean Spirit em Portugal há uns anos e, pelo que tenho visto, é um dos eventos “A Não Perder” no calendário europeu. Será interessante vermos quantas pessoas farão o esforço para irem ao evento e espero que esta seja uma oportunidade para começarmos uma nova era na WWSA agora que já pertencemos à Associação Mundial de Canoagem. A logística poderá ser um pouco complicada devido ao número esperado de participantes e aos seis dias destinados para a competição. Não restarão dúvidas que teremos que treinar para surfar em todas as condições. Eu já reservei a minha passagem e hotel em Santa Cruz.




Jackie Dillon by Penny Bedford



Explica-nos agora como é que competição irá decorrer…

Visto que o Mundial de Waveski se realiza agora de dois em dois anos, procedemos a algumas alterações em relação à selecção dos atletas. Agora recorremos aos resultados das competições da WWSA, juntamente com os resultados nacionais (ranking) e, se necessário, até aos regionais. O objectivo é manter a integridade do evento da WWSA e assegurar aos competidores que obtiveram os melhores resultados, a possibilidade de participarem nas provas subsequentes da Associação Mundial de Waveski.

Tem havido muita discussão ao longo dos anos acerca dos critérios de selecção e outros assuntos no que diz respeito aos WWSA Titles. A WWSA luta por uma simplificação e aproximação dos critérios de selecção, e tivemos que solicitar aos vários países os seus critérios para este efeito.

Fundamentalmente, a competição conta com várias divisões (mulheres, cadetes, juniores, “new age”, seniores, masters, “grand masters” e veteranos) e o evento da fita azul – O Open. Todas as categorias têm repescagens no primeiro round excepto a Women’s Division que funciona no formato winners/losers (isto foi mudado após o Mundial de 2009). Claro que adoraria ver o Tag Team (competição por equipas) quer para o Open quer para Women’s com o dobro dos pontos concedidos para o Open onde qualquer júnior, mulher ou veterano pudesse ser substituído por um Open rider (veremos se isto se realiza).

A categoria Open divide-se em duas partes e será algo mais ou menos como isto: O Top 32 é baseado nos resultados de 2009 da WWSA. O Top 32 irá defrontar-se entre si em 4 heats masculinos em que os vencedores (primeiro e segundo) passam para o round seguinte. Os losers deste heat (terceiro e quarto) irão surfar com os 16 finalistas que saíram das eliminatórias (no máximo 64 riders que vêm das “qualifying divisions”). Os atletas irão surfando até chegarmos aos 16 finalistas que irão surfar heats “man a man”. A minha esperança é que possamos ter uma competição que seja emocionante e progressiva de forma a que todos os atletas, directores e espectadores recordem o evento como algo de bom.




subgraviti.com / YouTube / waveski.info



Como é que vês a evolução do waveski no mundo?

Os próprios waveskis não evoluíram assim tanto ao longo dos anos. Enquanto temos assistido a algumas mudanças aqui ou ali, o conceito e o design continuam praticamente na mesma. O que nós vemos agora, é sim um surf mais fluído na onda. Os atletas são mais pontuados se conjugarem uma série de manobras na parte mais crítica da onda em vez de executarem um surf mais assente na velocidade.


"Era bom que alguns atletas desta nova geração pudessem ser orientados sobre a forma como devem dar entrevistas e

até como apostar melhor na sua imagem".











O waveski é um desporto emocionante e está continuamente a precisar de maior promoção. O uso do YouTube e, claro, as contribuições de John Nowak (waveski.info) e de Xaver Walser (subgraviti.com) são excelentes para a promoção do nosso desporto. Gostaria de ver uma maior promoção mediática à volta dos nossos melhores e mais radicais riders, de forma a promover ainda mais a modalidade. Era bom que alguns atletas desta nova geração pudessem ser orientados sobre a forma como devem dar entrevistas e até como apostar melhor na sua imagem. Embora correndo o risco de ser mal entendida, acho que os patrocinadores gostariam de saber que os atletas que apoiam sabem dizer algo mais do que os habituais “ya, tá-se bem”, “a minha vitória foi altamente”, etc




Jackie at Dawn Patrol, Emerald Beach by Penny Bedford


Conhecias o kayaksurfnet?

Eu acho que é um site brilhante e cheio de informação. Visito-o, provavelmente, uma vez por semana e via Facebook. A informação é actualizada e envolve diversas áreas do surf – muito bom. As fotos são fantásticas.

Últimas palavras…

Tem sido uma honra e um privilégio ter estado envolvida no mundo do waveski, tanto como atleta como administradora da modalidade há mais de 15 anos. Os meus sucessos, tanto dentro como “fora do campo”, podem ser largamente atribuídos à minha vontade de enfrentar os meus medos em desafiar as ondas e por ter estado rodeada pelos meus amigos nas mais duras condições. Pessoas como Nigel Bryant e o Travis Best vêm-me à memória quando surfei em Iluka Beach em Novembro de 2006 umas ondas assustadoras. Claro que não me posso esquecer dos mais divertidos atletas do nosso desporto sem os quais não teríamos quaisquer regras – Neil Decker (um dos mais talentosos riders de waveski do mundo). Nem das pessoas atrás dos bastidores do nosso grande desporto que trabalham incansavelmente para que este mundo seja um local melhor para viver. Nem da Associação Mundial de Waveski que está sempre lá durante as discussões e que nos representa a todos - no final, é o resultado de uma frente unida.

Obrigado Jackie! Encontramo-nos em Santa Cruz ;)

Trabalho publicado em 12 de Janeiro de 2011

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - Penny Bedford / peniorphotography.com






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