James Hawker começou nesta andanças graças à influência do seu pai, Andrew Hawker. Foi ele que, logo aos oito anos de idade, lhe ofereceu um kayak. A partir daí, James nunca mais parou. Hoje, com 24 anos de idade, James é engenheiro mas o kayaksurf está entre as suas prioridades. Desenvolveu um estilo muito próprio em que concilia manobras de freestyle – que tão bem executa – com o mais puro surf. Com este perfil, não é pois de admirar que James eleja Edu Etxeberria como um dos seus craques favoritos. O kayaksurf.net concorda plenamente. Edu é um prodigioso do kayaksurf. Mas voltemos a James. Curioso e inventivo, criou uma marca própria de surfkayak – a Future Kayaks. Desenhou vários modelos e no último mundial de kayaksurf (Costa Rica 2005), surfou com dois modelos da Future Kayaks. Provou que sabia surfar e que sabia moldar. Obteve o segundo lugar em IC (medalha de prata) e foi quarto em HP. Foi também em 2005 que se sagrou como primeiro no ranking inglês de kayaksurf em ambas as classes – IC e HP. Neste momento, para além de andar afincadamente a treinar para o Mundial do País Basco, James é o actual campeão da Inglaterra em IC e começou 2007 a ganhar a prova de Bigburry (6 de Janeiro) na classe HP batendo, entre outros, Darren Bason (2º) e Steve Bowens (3º). Com este currículo, justifica-se o interesse da MEGA KAYAKS ao convidar James para o seu team. Para além de ser uma excelente surfista, apresenta-se como uma mais valia no campo do design. Resultados? O novo RESURECTION da Mega já tem a sua assinatura. Uma carreira a acompanhar cada vez com mais atenção…
KAYAKSURF.NET - Olá James, em primeiro que tudo, parabéns pela tua primeira vitória deste ano em Bigbury (SW da Inglaterra). Quando é que o kayaksurf surgiu na tua vida?
JAMES HAWKER – Eu comecei na canoagem há 16 anos quando tinha 8 anos de idade. O meu pai (Andrew Hawker) comprou-me um Rotobat e levou-me para uma piscina. Mais tarde, comecei no kayaksurf num velhinho P&H Surf Shoe. Tive o meu primeiro Mega Jester com 12 anos e participei num prova de kayaksurf pela primeira vez aos 13 anos.
Qual é a tua experiência noutras vertentes da canoagem?
Eu ando muito de kayak, principalmente agora, que vivo em Plymouth (cidade costeira SW da Inglaterra). Também gostava de começar a participar em provas de freestyle mas, nos dois últimos anos, as datas das provas têm coincidido com as de kayaksurf e o kayaksurf, será sempre a minha prioridade.
James Hawker também gosta dos rios mas o kayaksurf está no topo das suas preferências
Rio Dart - Fotos: Jim Ottaway - www.3rider.blogspot.com + www.aswatersports.com,
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Na Costa Rica conseguiste a medalha de Prata em IC e foste finalista na classe HP. Imagino que tenhas tido um heat espectacular com o Darren (que venceu em HP)! Conta-nos como tudo correu…
Fui mesmo muito bom ter conseguido chegar às duas finais. Tive uma onda de sorte durante todo o campeonato. Infelizmente, adoeci na noite anterior à final e senti-me realmente muito fraco durante as finais – tinha passado a noite toda em claro com febres altas e a tremer por todo o lado. Aproveitei-me bem de todo o Red Bull à borla que tinham por lá e algum iboprufen mas, na realidade, não estava em condições de surfar ao meu melhor nível. Os resultados até podiam não ter sido muito diferentes mas teria dado o meu melhor ou, pelo menos, sentiria que tinha dado o meu melhor. Fiquei muito desiludido com toda a situação.
E o campeonato britânico de kayaksurf de 2006?
Fiquei contente por ter sido o vencedor na classe IC e por ter chegado à final nos HP. Este ano, andarei a surfar com um IC como treino para o Mundial (Bakio/Mundaka) mas participarei nas duas classes. Fiz uma surf trip espectacular à Irlanda. Fui com o meu pai (Andrew Hawker) e depois da prova de Bundoran encontrámo-nos com o Dessie McGlinchey que nos levou a conhecer um spot chamado Tullen Strand (alguma provas do Mundial de Irlanda foram disputadas lá). As ondas são de bom tamanho e muito boas de surfar. Foi uma das melhores ondas que já surfei e acho que foi lá que fiz a minha melhor sessão de kayaksurf de 2006.
James Hawker
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Agora, sobre Portugal, ficaste satisfeito com a tua participação?
Eu gostei de Portugal e achei que o formato da prova resultou bem. O Rusty (Sage) investiu muito nesta ideia de criar uma Taça do Mundo que, felizmente, irá ficar como uma prova regular. Fique satisfeito com os meus resultados – O Dave Johnston venceu-me à justa no meu último heat ao conseguir sacar uma bonita onda no outside. As condições estavam um bocado duvidosas e foi um daqueles heats em que tens que decidir – ou ficas no inside e surfas as ondas mais pequenas ou, ansiosamente, esperas no outside pela onda que te poderá dar a vitória no heat (que pode ou não aparecer). O Dave esteve sempre em forma durante toda a prova e sempre conseguiu encontrar grandes ondas.
E o que é que achaste da praia de Peniche?
A praia era boa e há spots fantásticos naquela zona mas alguns estavam cheios de gente – no dia em que chegámos, ouvimos dizer que um surfista de longboard tinha saltado para cima de um bodyboarder e a coisa acabou mal e nós, procurámos sempre evitar confusões. Eu e o meu pai levantámo-nos um dia de manhã e fomos até uma praia chamada Ferrel. Fizemos lá ondas espectaculares e só tínhamos mais dois surfistas na água. Foi bom termos sempre tido opções em várias direcções e, mesmo com ventos fortes, houve sempre ondas de qualidade no offshore.
James Hawker a surfar em Peniche - Lagide (Outubro 2006) |
E Portugal… conhecias? O que é que achaste?
Foi a primeira vez que surfei em Portugal. As ondas eram potentes e muito boas, tal como eu esperava. Também gostei do país.
A tua selecção estará este ano no Mundial (País Basco). Quantos elementos é que vocês levam até Mundaka/Bakio?
Nós contamos levar uma equipa completa. É muito fácil chegar ao País Basco desde a Inglaterra e, devido a esse facto, teremos mais kayaksurfistas a tentarem a qualificação para a selecção.
Eu li um artigo muito interessante que escreveste para a BCU (Associação Britânica de Canoagem) acerca das manobras no kayaksurf. Que tipo de colaboração é que tens neste momento com a BCU (secção de kayaksurf)?
Eu não posso dizer que sou o autor desse artigo – acho que foi o Robbie Lines que o escreveu mas também posso estar enganado. O Chris Harvey é que mantém a informação no site. Eu não colaboro muito com a secção de kayaksurf mas o meu pai é que costumava colaborar muito com eles e ainda faz parte do Comité que organiza os Mundiais.
No ano passado, em Mundaka (tal como nos anos anteriores), o júri do campeonato era constituído por surfistas (pessoal das pranchas). O que é que achas desta ideia – também defendida por Darren Bason - em recorrer a júris do surf para as provas de kayaksurf?
É melhor do que outras opções e vale a pena o investimento. Eu gosto muito da forma como o Campeonato de Mundaka é organizado e estarei lá de novo em Abril (21 e 22) para a minha terceira participação. Eu acho que o mais importante é a consistência e essa é conseguida utilizando a mesma equipa de júris de surf durante toda a prova.
Fala-nos agora da Future Kayaks (criada por ti). Quando é que apareceu, que kayaks produziu e se ainda existe como empresa…
Eu estava habituado a fazer todos os meus kayaks sobre o nome de “Future Kayaks”. Na Costa Rica, surfei o meu próprio HP e IC e tive grande sucesso com esses modelos. Agora, sou patrocinado pela MEGA (desde Maio de 2006) e acompanho o desenvolvimento de novos modelos e ideias, algumas delas em kayaks que eu próprio moldei. Sinto a falta de moldar mas era uma actividade muito cara e que me roubava muito tempo. Estou muito feliz com esta colaboração com a MEGA. Fizeram um trabalho magnífico com o último modelo que desenhei e têm sido muito abertos e receptivos a novas ideias. O meu modelo (RESURECTION) deverá estar pronto em breve para produção e espero que seja bem acolhido.