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:: JONNY GIBBINGS ::









Jonny "militia" Gibbings

Sempre em busca de grandes ondas



Jonny Gibbings somewhere in a Pacific Island (secret spot), Summer 2010 / Photo by Doolie



Confessamos que foi uma entrevista algo inesperada mas surpreendentemente interessante. Jonny “militia” Gibbings, 40 anos (mas nove de cabeça, como o próprio afirma), enviou-nos há tempos umas fotos fantásticas tiradas algures no Oceano Pacífico. Mais tarde, em conversa com James Hawker (ver a mais recente entrevista de James), ficávamos a saber que estava na forja um novo blog de waveski onde Jonny também colaborava. Nem é tarde, nem é cedo! – pensámos. E que tal conhecer melhor este inglês, designer de profissão e viciado em grandes ondas? E assim foi. Jonny surfa de waveski há 32 anos (!!) e teve uma breve passagem pela competição. Foi segundo no campeonato britânico em 86, conquistou um título em juniores e algumas vitórias na África do Sul e Nova Zelândia nos anos noventa. Tudo de waveski. Como nos afirma na entrevista, a competição não é propriamente o que o motiva… aí, não tem a menor dúvida. O que o faz correr o mundo, são as grandes ondas. E quanto maiores, tanto melhor.

Foi, aliás, por este motivo que Jonny se junto à equipa da Future Kayaks & Waveskis e ao “Mayhem Project”. Colaborou na criação de uma prancha para surfar ondas de maior porte e andou perdido neste Verão pelas Ilhas Cook onde surfou ondas épicas. Tudo em busca da maior! Pelo meio da conversa, ficámos a saber que Jonny adora o nosso país onde já passou das boas. Entretanto, pretende continuar a sua saga e tem agora Tehaupoo (Tahiti) ou Backdoor Pipeline (Hawaii), como possíveis destinos de surf. No fim desta conversa, revela-nos que não precisamos de ir até às Ilhas Cook ou a qualquer um destes destinos para encontrarmos o espírito “aloha”. Basta procurar tudo isto mesmo à porta de casa. Tudo depende da atitude. Ao longo da entrevista, vemos que Jonny é um apaixonado pelo desporto e pela natureza. Detentor de uma experiência acumulada de mais de 30 anos de waveski, continua a falar da modalidade como se tivesse começado há escassas semanas. Os relatos inflamados sobre as ondaças que tanto temeu nas Ilhas Cook, são bem a prova disso. Muito bom.


SPONSORS:







kayaksurf.net - Olá Jonny. Como é que começaste no waveski?

JONNY GIBBINGS - Ah… a culpa foi de um nadador salvador australiano em 1978. Eu tinha oito anos de idade, achava que ele era o gajo com mais pinta na terra e andava de waveski. Anos mais tarde, vim a saber que até a minha mãe o considerava com muito nível!! Ele depois foi-se embora e eu fiquei com o waveski dele!

E kayaksurf, alguma vez praticaste?

Não, estranhamente nunca andei num kayak ou em qualquer coisa do género.

Nós publicámos uma foto tua (incrível) de umas férias de Verão deste ano. Conta-nos…por onde andaste e surfar este ano?

Este Verão foi fantástico. No entanto, o local dessa foto tem que permanecer secreto. O que posso dizer, é que foi algures nas Ilhas Cook. Toda aquela região é rica em spots perfeitos e desertos. Sabes como é que é, há muita gente que quer saber as coisas mais bizarras acerca das surf trips. Em Bali, no ano passado, não podias de deixar de olhar para os clubes nocturnos onde miúdas de treze anos vendiam efedrina (droga cujo propósito é o estímulo energético e aumento da performance atlética) e preservativos nas ruas. Isto para além de muito álcool e pancadaria. Se é isso que gostas – então é ir até lá. O que me dá pica, é a solidão. Isso é que é. Eu encontrei uma ilha ecológica sem electricidade, onde só tinha uma cabana e uma vista sobre o rochedo. Os locais levam-te até lá nos próprios barcos e dizem que nunca lá viram surfistas. Portanto, para dares nas vistas e sacar algumas boas imagens para os patrocinadores, vais até Bali. No local que nós encontrámos, só estás lá mesmo pelo surf. É o puro “aloha”, nada mais. Não estás lá pela glória, só pelo surf. Havia lá um tipo holandês que tinha descoberto o sítio há cinco anos atrás. Construiu uma casa nas árvores e nunca mais deixou a ilha. Só surfa, come e dorme. É essa a boa onda que eu tenho agora com a Future – eles não se preocupam pela minha atitude menos mediática, mas sempre à procura de grandes ondas.



Big wave boards made by Future


O pessoal da Future e eu andamos envolvidos na ideia de surfar as maiores ondas de sempre com um waveski ou kayak. Uma vez, detectámos um swell gigantesco de ondas com mais de nove metros em períodos de dezoito segundos onde surgiam de vez em quando algumas com 12 metros. O plano original era fazer tow-in até lá e surfar a maior onda de sempre com um waveski. Eu fui rebocado até algumas dessas ondas mas não funcionou com o waveski. Não se consegue virar, não se consegue usar a pagaia, tu só te vês disparado e sem controlo nenhum e a rezar para que não morras! Foi fantástico e assustador ao mesmo tempo. Estiveram comigo nessa aventura alguns nomes bem conhecidos como Ross Clarke (rider australiano de grandes ondas com reputação mundial) para me orientarem tecnicamente, mas não resultou. Nós todos concordámos que a única maneira de conseguirmos, seria entrar a remar. Mas nada te consegue preparar para entrares a pagaiar com ondas com mais de doze metros – se eu conseguisse saltar para um avião e voar dali p’ra fora, era o que teria feito naquela altura. Não vou mentir, estava simplesmemte apavorado.



Big waves on UK


Já surfei grandes ondas aqui na Inglaterra, na Irlanda e em França mas o power e a velocidade daquelas ondas gigantescas, é algo incrível. Elas avançam tão rapidamente que é impossível fazer o take off mesmo no lip sem te livrares do perigo. A única maneira de o fazer é apanhá-las mesmo debaixo do pico, remar com toda a velocidade e apanhar a parede vertical em direcção ao enorme poço. E nem sequer havia outra alternativa. A situação era mesmo crítica e a morte era uma verdadeira possibilidade. A espera pelo set era tenebrosa. Houve uma altura em que estive à espera quase nove minutos! Claro que isso pode não parecer um problema, mas imagina… estou ali sentado à espera. Não há ondas, só tu à espera. Aí a tua mente começa a pregar-te algumas partidas – será que estás muito afastado do recife e te encontras numa zona muito profunda onde as ondas te podem “apagar” de imediato se te apanharem? Será que estás numa zona muito afastada do take off? Por duas vezes, remei dali para fora e assisti depois ao detonar de um set enorme no preciso local onde me encontrava. Recordo-me que hiperventilei algumas vezes de medo.



Cook Islands


Ao dropar aquelas ondas, senti-me como chupado para o espaço e depois, como se estivesse a surfar à beira de um precipício – era como uma queda num buraco gigante. A velocidade era louca, o meu wave saltava fora da água, voava por um segundo e a onda continuava sempre atrás de mim. Eu não podia arriscar a bater com as costas no waveski. Só tinha que conseguir surfar, virar no bottom e gritar enquanto subia pela parede. Sentia-me como se fosse a 100 à hora. Por vezes até me esquecia de respirar. Estava completamente apavorado. A coisa boa daquela onda é que o recife acabava numa zona muito mais profunda portanto, não havia o perigo de ser apanhado lá dentro como em Teahupoo (desde que consigas fazer o drop).


"Ao dropar aquelas ondas, senti-me como chupado para o espaço e depois, como se estivesse a surfar à beira de um precipício –

era como uma queda num buraco gigante ".











Em quase duas horas, só apanhei seis ondas. O barco com o pessoal do Stand-Up, pelo que me disseram, nem se fez à água. Ficaram a apreciar a minha entrada na onda e, quando desapareci no meio daqueles monstros, todos sustaram a respiração. Quando reapareci, o barco agitou-se bastante e conseguiu ouvir os gritos do pessoal a bordo. É assim que ficam as coisas quando se complicam. Quando decides assumir determinados riscos que envolvem o teu desporto e a tua vida, o que menos importa é o material com que surfas. Eu sei que pode soar estúpido – éramos vários surfistas, fomos todos com material diferente, e viemos todos como irmãos. No final de tudo, foi uma fantástica surf trip. Eu acho que alcançámos os nossos objectivos. Investimos ao máximo no design do nosso material e em tudo o que estava ao nosso alcance. O que mais gosto neste desporto, é que já partilhamos os designs feitos para “grandes ondas” com os melhores atletas australianos (surfistas de prancha), como em família. Nenhum outro desporto promove a partilha de inovações entre empresas rivais. Agora, o objectivo é Backdoor Pipeline (Hawaii) e Tehaupoo (Tahiti).



Backdoor Pipeline, Hawaii by Michael Leask / Tehaupoo, Haiti by Mark Mongabay


E agora acerca do “Mayhem Project”... apresenta-nos este projecto…

Bem, é - ou espero que venha a ser – um lugar onde todos os teams, construtores e praticantes possam dar umas risadas e contar umas histórias. Onde nós possamos promover sites como o kayaksurf.net ou marcas como a Watertech mas continuarmos a centrar-nos em nós mesmos. Todos os surfistas de pagaia têm um sentido de humor muito próprio. Nós todos adoramos rir com os falhanços dos outros. Como aquela do Pete Copp, o fotógrafo (elemento da NEWS TEAM kayaksurf.net). Ele estava super entusiasmado com o novo waveski que tinha acabado de chegar da África do Sul até à Inglaterra mas, na primeira onda que faz com ele, foi apanhado por uma onda. Aterrou com o wave numa rocha e, logo nesta estreia, arranca os finos e as caixas ao arrastar na pedra. Ele até nos conseguia ouvir as gargalhadas do alto dos rochedos! – é um site divertido, para todos nós.



Conhecias o kayaksurf.net?

Yeah, adoro o site. É o único sítio onde posso saber o que os outros andam a fazer. Quem mais nos poderia informar de que há gajos a surfarem o Mar Negro na Bulgária?

Spots favoritos para surfar…

Monsters Slab & Challaborough no Reino Unido, Ericeira em Portugal... e um lugar muito secreto algures no Pacífico.

Sites favoritos…

Tem que ser o Magic Seaweed, os fórums norte americanos e neozelandeses de waveski e o teu kayaksurf.net.



Jonny surfing near home in UK



"Se conheço Portugal??

Parti o meu primeiro waveski em Supertubos, capotei aí o meu primeiro carro, fui preso e tudo graças o meu amigo Paulo, de Setúbal.

Adoro Portugal."













Como é que vês a evolução do kayaksurf e do waveski?

Está a começar a subir de novo. Há agora mais kayaksurfistas a surfar com nível e, em França, há grandes “jovens talentos”. Agora, vemos o pessoal do kayaksurf e do waveski a trabalhar em conjunto e isso só pode ser positivo. Também adoro o que a KS está a fazer. A performance está a fazer com que os designs evoluam. Antigamente, os designs limitavam a performance.

Conheces Portugal?

Se conheço Portugal?? Parti o meu primeiro waveski em Supertubos, capotei aí o meu primeiro carro, fui preso e tudo graças o meu amigo Paulo, de Setúbal. Adoro Portugal. Já surfo a vossa costa de Norte a Sul há anos. Os portistas são loucos. O Paulo consegue andar na farra até às quatro da manhã, descansa um pouco e depois vai surfar – sem dormir! O que mais gosto em Portugal é que não há meios-termos. Ficas logo a saber se gostam ou não de ti e, se gostam, amam-te.




Jonny surfing near home in UK


Últimas palavras…

Eu acho que seriam: façam as malas, peguem na tenda e no material de surf e viajem. Muito procuram o pote de ouro no fim do arco-íris, mais vale ir à procura de ondas. Nem que seja um fim de semana à procura de novos sítios no nosso país – vão ver que voltam diferentes. As competições têm a sua importância mas não há nada como um grupo de surfistas que se riem o dia inteiro e acabam à noite à volta de uma fogueira. Não precisam das Ilhas Cook para encontrarem este espírito “aloha” – tudo isto está mesmo à vossa porta de casa. Vão surfar. Procurem novos desafios – nunca ninguém sabe do que é realmente capaz de fazer.

Obrigado Jonny! A tua atitude é inspiradora ;)

Abraço!




Jonny enjoying the view from his caban somewhere in a Pacific Island



Trabalho publicado em 15 de Dezembro de 2010

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - Doolie + Michael Leask + Mark Mongabay + Personal Archive





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