As suas fotografias e vídeos, tanto como atleta como produtor, já surgiram em inúmeras publicações desportivas. Jono Stevens, 32 anos, fez da canoagem profissão durante oito anos e iniciou-se no kayaksurf há cinco. A residir em Santa Cruz, Califórnia, Jono teve excelentes “professores”, como Rick Starr (actual presidente da Associação Mundial de kayaksurf WSKA) e Dennis Judson – são ambos autênticas lendas do kayaksurf californiano. Esteve no Mundial da Irlanda, é participante assíduo das provas de kayaksurf norte americanas e, mais recentemente, sagrou-se campeão do mundo na Costa Rica 2005 enquanto membro e Capitão da Selecção de Kayaksurf da Costa Oeste (actual campeã do mundo). Já percorreu rios em 10 países com o seu kayak e agora só pensa em Mundaka/Bakio – onde decorrerá o Mundial deste ano. Hoje, Jono Stevens, trabalha como técnico especializado em energia solar mas os kayaks estão sempre na primeira linha. Tem uma opinião crítica sobre o estado do mercado relativamente aos surfkayaks e a sua justificação é bastante plausível… Jono Stevens, mais um apaixonado pelo mar!
KAYAKSURF.NET - Olá Jono. Ao olharmos para o teu currículo, vemos que, para além do kayaksurf, tens muita experiência em águas bravas. Quando é que o kayaksurf surgiu na tua vida?
JONO STEVENS – Eu iniciei-me no kayaksurf quando voltei a viver na Califórnia em 2000. Conheci o Rick Starr (presidente da Associação Mundial de Kayaksurf já entrevistado pelo kayaksurf.net) e ele levou-me para as ondas com um surfkayak antigo. Foi ele o meu grande impulsionador e professor de kayaksurf.
Jono acumula anos de experiência em águas bravas
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Tu acumulas muita experiência de outras vertentes da canoagem. Concordas que todas elas se complementam para o kayaksurf ou achas que, por exemplo, o surf de prancha ou o bodyboard, são mais proveitosos para o kayaksurf?
Ter boas bases de canoagem é muito bom para o kayaksurf mas eu acho que o mais importante, é dominar os conhecimentos à volta das ondas e do oceano. Tenho visto canoístas muito fraquinhos a surfar muito bem as ondas. Eu comecei no surf de prancha há uns anos e isso contribuiu bastante para a minha evolução técnica no kayaksurf.
Tu és o capitão da selecção da Costa Oeste dos EUA de kayaksurf - sagrada campeã do mundo em 2005. Conta-nos como foi a vossa vitória na Costa Rica...
A Costa Rica foi uma grande experiência. O campeonato correu muito bem porque tudo estava muito bom. Os organizadores fizeram um grande trabalho e foi tudo muito divertido. As ondas também eram muito consistentes. Foi muito bom termos visto kayaksurfistas de tão boa qualidade e com um grande nível competitivo. Eu tive a honra de ser o Capitão de equipa juntamente com a Gina Troiani.
Vocês esperavam ser campeões do mundo?
Eu estava esperançado que a nossa equipa se sagrasse de novo campeã do mundo (o último título tinha sido em 1999 no Brasil) mas não posso dizer que contava com tal facto. Há sempre boas equipas em competição e nós nunca sabemos o que irá acontecer. Tudo depende se apanhas as melhores ondas e se és suficientemente consistente em cada heat.
US WEST TEAM |
A vossa equipa virá este ano ao País Basco. Quantos elementos é que vão trazer para o Campeonato do Mundo?
Nós estamos a tentar levar uma equipa completa até Espanha (21 elementos). Penso que muitos dos que irão participar, fazem parte da mesma equipa que levámos até à Costa Rica.
E agora sobre ti… como descreves a tua participação na vigésima edição da mítica prova de kayaksurf de Santa Cruz de 2006?
Eu gosto muito de participar na prova de Santa Cruz e ainda mais desde que vivo cá. Na realidade, é um fim de semana muito divertido, cheio de surf e uma oportunidade de confraternizar com amigos e competidores nas festas que se realizam. As provas têm-me corrido muito bem nos últimos anos e participo sempre em todas as festas!
Jono Stevens em Santa Cruz |
Tu tens conseguido bons resultados em Santa Cruz. Este ano alcançaste o 6º lugar em HP e 8º em IC. Na tua página web, afirmas que, uma das tuas metas, é alcançares os lugares de topo no kayaksurf mundial. Continuas a lutar por este objectivo?
Eu acho que ainda não alcancei todo o potencial que posso dar ao kayaksurf. Ainda não tomei esse objectivo muito a sério. Acho que preciso de surfar uma maior variedade de ondas e tentar outros modelos de surfkayaks. Eu costumava treinar e remar mais de 100 dias por ano quando competia nas provas de águas bravas. Ainda não fiz essa média para o kayaksurf. Talvez este ano comece a fazê-lo antes do mundial de Espanha.
Um dos teus projectos é promover o kayaksurf enquanto desporto. Até onde é que achas que o kayaksurf pode chegar?
Tal como muitos desportos de aventura, o kayaksurf está em constante evolução. Vejo as provas a evoluir cada vez mais e a ficarem mais divertidas e variadas no seu formato. Há cada vez mais eventos de kayaksurf a serem organizados que contribuirão para a promoção deste desporto e isso é fundamental para a sobrevivência de qualquer desporto. Os kayaks no surf estão a ser cada vez mais aceites. Quanto mais pessoas surfarem em kayaks específicos para o efeito e as suas manobras evoluírem, mais este desporto crescerá.
Fazes parte do “West Coast Surf Kayaking Committee” e da” Advisory Board of Paddle Surfers International”. De que forma é a tua colaboração com estas duas instituições…
Eu sou o presidente da “US West Surf Kayak Association” e já faço parte deste organismo há três anos. Gosto de contribuir com a minha experiência e conhecimentos que tenho sobre outros desportos como as águas bravas. Também gosto de aplicar as minhas energias para que este desporto evolua, fique melhor organizado e ganhe cada vez mais visibilidade.
E o teu trabalho enquanto fotógrafo e jornalista… o que é que tens feito?
Eu costumava escrever e fotografar muito para revistas de canoagem mas, ultimamente, não me tenho dedicado muito a essa actividade. É necessário muito tempo e energia dispendidos para conseguirmos alcançar sucesso e viver à custa disso. Continuo a fotografar sempre que tenho oportunidade mas não tenho escrito. Tenho deixado essa tarefa para a minha mulher que, nos últimos anos, publicou uma série de artigos sobre surf com fotografias minhas.
Por falar em surf, imaginas-te um dia a fazeres do kayaksurf a tua profissão… achas que tal ideia é possível?
Sobreviver como kayaksurfista profissional é, neste momento, muito irrealista. Pode ser que aconteça daqui a 5 ou 10 anos mas, neste momento, ainda não há potencial que chegue para tal. Espero ver um dia alguém a consegui-lo… talvez quando este desporto atingir um nível semelhante a outras modalidades do surf.