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:: MANUEL CARIGNAN ::






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Manuel Carignan

“Os próximos anos vão ser impressionantes!”



Manuel Carignan

Tem somente 20 anos, é estudante universitário de Química e guia de segurança em descidas de rafting e kayak. O seu percurso começou nas águas bravas onde já fez vários rios de classe III e IV. Já se aventurou num classe V e conta, nestas andanças, com três temporadas como guia. Como júnior, já se sagrou campeão argentino de kayaksurf por duas vezes. Na classe Open, classificou-se em quarto e quinto lugares. Apesar da sua idade, Manuel Carignan já anda de kayak desde os 12 anos (águas bravas) e já pratica kayaksurf há seis. Defende o kayaksurf como uma autêntica paixão… algo que tem que praticar-se com gosto e não porque está na moda. Tem uma opinião muito pessoal sobre a experiência necessária – surf ou águas bravas – para a prática desta modalidade. Já apanhou uns sustos com fundos rochosos mas sonha em surfar na Indonésia ou no Tahiti. Quanto ao kayaksurf, acredita que, nos próximos quatro ou cinco anos, muita coisa vai acontecer! Deste lado do Atlântico, também achamos o mesmo!

KAYAKSURF.NET - Olá Manuel, como está o kayaksurf na Argentina?

MANUEL CARIGNAN – Actualmente, há muitos praticantes de canoagem mas não de kayaksurf… existem 15 no máximo. Não temos muitas possibilidades de adquirir equipamento a preços acessíveis (4 pesos equivale a um euro) e um bom ordenado aqui na Argentina são 250 euros. Por este facto, não temos grande equipamento ao nível dos impermeáveis, saiotes, pagaias ou surfkayaks.

O que mais te agrada… o freestyle ou o kayaksurf?

Ambas são muito agradáveis. Poder sacar um blunt, um pan-air, um air-screw a 1m 1,5m é fabuloso. Já para surfar, 1.5, 2m de parede limpa com tubo é maravilhoso e impressionante devido à potência que a onda pode conter.



Consideras essencial a experiência da canoagem em rio para a prática do kayaksurf?

Acho que tudo se complementa. Não consegues alcançar no mar a tranquilidade que um rio de proporciona assim como a técnica de creek no rio é muito útil para conseguir ultrapassar correntes muito fortes.

E sobre a tua experiência… vejo que começaste nas águas bravas e só depois o kayaksurf. Achas que essa é a melhor estratégia para chegares até ao kayaksurf?

São muito diferentes, até no lado que fazes apoios! Acho que aquele que faz águas bravas pode enfrentar melhor um momento de maior tensão no mar do que aquele que pratica sempre kayaksurf e se aventura num rio muito complexo. Para mim, penso que é a melhor estratégia (águas bravas - kayaksurf) e nem sei se comigo deu os melhores resultados mas também sei que, para o kayaksurf, não é necessário para nada saber descer um rio.

E surf… tens alguma experiência?

Nenhuma. Não me atrai muito: deve ser porque há muita gente a praticar. Não gosto dos desportos da moda... acompanho mas não compro. Mas quero desde já dizer que não tenho nada contra os desportos da moda. Boas ondas para os surfistas




O que pensas dos kayaksurfers, como o campeão mundial de 2003 John Grossman, que defende a prática do surf como fundamental para o kayaksurf?

Se sabes surfar, não tens que aprender kayaksurf, mas sim a canoagem. Essa é a diferença. Tu não tens que aprender a visão que o surf te dá e a leitura das ondas mas sim entender a sua velocidade e inércia. Penso que não é necessário saber surfar de prancha mas sim observá-los.

E em quantas provas de kayaksurf já participaste?

Já participei em seis. Dois como júnior e quatro em Open.

E como estão os apoios financeiros para este deporto? Tens patrocínios ou apoios?

Nenhum a não ser a ajuda dos meus pais a quem agradeço a compra dos meus primeiros kayaks. Também tenho ajuda de um amigo – Mariano Buenaventura – que produz vestuário e da QSKO, e me fornece pagaias apesar de estas serem de fibra de vidro com barra em alumínio.

Como te treinas para as competições? Praticas outros desportos?

Faço ondas com alguma frequência. Nada mais de especial. Há um ano que estou a aprender a escalar mas, como também estudo, não tenho muito tempo livre.

E agora sobre kayaks... qual o teu preferido para as ondas?

Actualmente, estou s surfar com um EZ (Wave Sport) mas se me derem outro material, aceito com muito gosto. Sinceramente, não faço ideia de como são os surfkayaks pois, de facto, na Argentina, só conheço um 88 (Murky Waters) e um Squashtail (Drago Rossi).


Manuel a surfar com o Wave Sport EZ


E o novo Plaster... conta-nos como surgiu até chegar ao mercado...

É um bom kayak. É o primeiro totalmente argentino idealizado por amigos meus. Acho que está a ir muito bem apesar de pequenos detalhes que são esperados num primeiro modelo. Além do mais, não tem qualquer engenharia por trás e o único túnel de vento para testá-lo é a brisa marítima.


Carignan a testar o PLASTER


Qual a tua manobra favorita?

Se sair bem, é um Airscrew ou um Donkyflip, - senão não sair bem, a queda é muito dura pois é 1.5 mt a cair com grande impacto contra a água. Também gosto de um Tubo ou um bom Blunt aéreo.

Tens algum canoísta que admires mais pela sua técnica, performance?

Como kayaksurfista, o Jorge Anchorena (CONSULTAR A ENTREVISTA). É impressionante pela sua técnica e lucidez nas manobras. Como canoísta de águas bravas, Mariano Buenaventura ou o internacional Tão Berman. No Freestyle, Steve Fisher (CONSULTAR ENTREVISTA).

Onde costumas surfar?

Mar de Plata possui várias praias e todas são boas dependendo do tipo de ondulação e vento. Quando está bom, gosto da praia de Mariano ou a Diva.

E como vês este desporto a nível mundial?

A crescer. Vão ser impressionantes as coisas que se vão fazer dentro de 4 ou 5 anos.

Qual o maior susto que já apanhaste no mar?

Não conseguir passar uma parede de dois metros e caí até embater num fundo de rocha (foi na Praia Mariano). Imaginei os finos do kayak a cortarem-me a cabeça. É uma praia muito perigosa e quando um kayaksurfista vai contra as pedras dificilmente lá volta de novo. Há muitos que nunca andaram nesta praia

Como descreves a onda perfeita para surfar com um kayak?

Em Teahupoo, no Tahiti e, se for possível, com 5 metros. Mundaka também me parece perfeita, senão, a Indonésia com as suas ondas clássicas. Gosto mais que as ondas tenham tamanho para além da perfeição. Na verdade, prefiro surfar 3 metros inconstantes e pesados do que 0.75 mt perfeitos. Com 1.5 mt é outra história.


Carignan elege Teahupoo (Tahiti) como a onda perfeita para surfar


Quais os projectos mais próximos que tens para o kayaksurf?

Agora começa a época do rafting em Bariloche, na Patagónia que é onde trabalho e, como tal, o kayaksurf vai ter de esperar. Depois, pretendo ir até ao Chile com uns amigos.

Conhecias esta página? O que achas dela?

Conhecia-a porque me aconselharam a visitá-la. É muito boa. Parabéns.

Que sugestões dás para quem quer iniciar-se neste desporto?

Dêem-lhe duro, não porque está na moda, mas porque gostam de o fazer. Vejam uns vídeos e tentem fazer o que os outros fazem, apesar de vos dizerem para não tentar.

Obrigado Manuel e, boas olas!

Igualmente. Boas ondas também para vocês e muito obrigado por me darem esta oportunidade de fazer chegar a muitos a minha opinião acerca de uma coisa de que eu gosto tanto.


Manu nas águas bravas




SPONSORS DE MANUEL CARIGNAN

FELS (vestuário) + QSKO (pagaias)

Trabalho publicado em 17 de Novembro de 2006

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - Martin Lopez + Jammin Surfkayaks Argentina + Tim McKenna




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