Nikki Kelly é uma mulher de águas bravas. Neozelandesa, 31 anos, Nikki é massagista nas horas vagas e na maioria do seu tempo, anda envolvida em grandes aventuras de kayak às costas. Também é monitora de rafting e canoagem de águas bravas mas assume que o que mais gosta de fazer, para além de remar, é ver-se envolvida numa grande aventura por um país distante. Há 16 anos que anda de kayak e, no seu vasto currículo, destaca-se em 2006, um segundo lugar na competitiva prova de freestyle “Reno Festival" e, na mesma competição, sacou o primeiro lugar na classe "Boater Cross". Também foi no ano passado que conseguiu a segunda posição na “Extreme Weekend” organizada pela “Paddler Magazine”. Ainda nas águas bravas, ficou em primeira nos Teva Vail Mountain Games nos Extreme Race e em segunda na classe "freestyle". Em 2005, sagrou-se medalha de prata nos mundiais de Rafting. Com tanta água doce e fria à sual volta, Nikki diz que o oceano a atrai cada vez mais. Vê o kayaksurf como uma modalidade de futuro e até já apanhou um valente susto nas potentes ondas da Costa Rica…
KAYAKSURF.NET - Nikki, tu fizeste a tua carreira no freestyle, creek, expedições e até no rafting... e kayaksurf, já alguma vez experimentaste?
NIKKI KELLY – Já fiz kayaksurf para aí umas vinte vezes e adorei. O oceano é uma boa alternativa apesar de, admito, ser mais uma mulher de águas bravas. Eu acho o oceano intimidatório, grandes swells, os tombos, a força das ondas a empurrarem-te par baixo... acho que não percebo o mar o suficiente. É bom saber que estamos preparados para entrar no mar e surfar com o nosso kayak em comparação com uma prancha de surf, em que seríamos completamente novatos. Gosto muito do mar.
Tens acumulado vários títulos de campeã mundial de rafting desde 1999. Ainda manténs esta paixão pelos rafts?
A paixão é mais forte pelos kayaks, sem dúvida, mas não consigo dizer que não à emoção que uma prova de rafting. De dois em dois anos, junto-me a outras cinco miúdas malucas, viajamos para um país obscuro, remamos até à exaustão física e psíquica, fazemos grandes farras com todos os outros participantes e regressamos a casa como campeãs do mundo ou lá perto, como em 2005. A maior paixão é mais pelos países que visitamos.
Medalha de prata no Mundial de Rafting 2005 - Nikki a competir |
Uma vez, afirmaste numa entrevista que foi uma viagem à Costa Rica, em 1995, que te fez mudar da borracha para os plásticos. Como e porque é que isso aconteceu?
Na Costa Rica, passei a ser uma "fotógrafa remadora" (num kayak). Depois disso, foi difícil voltar aos rafts apesar de ter voltado ao rafting a tempo inteiro como guia. Isso foi até eu descobrir que conseguia sobreviver andando de kayak (em vez de me se dedicar também ao rafting). Eu acho que a Costa Rica foi um ponto de viragem devido à minha idade, era jovem, livre e sem ligações a nada. A vida à volta dos rios, e as próprias pessoas, era tão intensa que aquele "estilo de vida" acabou por se tornar verdeiramente possível para mim. Uma forma de vida muito natural, e sentir sózinha a sensação incrível de pagaiar um kayak. Foi lá que fiz o meu primeiro Nível V e todos os dias descia um Nível IV, daí que a minha paixão por tudo isto tenha aumentado de dia para dia. À medida que eu evoluía, mais aumentava o gozo. Viciante.
Nos meses de Junho e Julho de 2004, uma equipa de canoístas lançou-se nuam expedição aos sete maiores rios da Califórnia. Tu eras a única mulher da expedição... conta-nos como tudo correu...
A "Expedição dos sete rios" é o ponto alto da minha carreira. Sempre tive como objectivo descer grandes rios e durante muito tempo, de forma a sentir que estava a testar todas as minhas capacidades. Falando por mim, tenho que fazer várias descidas para sentir que estou em forma, que atingi o Nível V. Muitas vezes, acabas uma descida com a sensação de que "agora" é que estavas mesmo preparado para fazê-la. Esta expedição foi intensa e senti que estava em forma. Durante aqueles 50 dias, vi o meu desejo realizar-se - uma MEGA aventura de Nível V que me fez sentir que era capaz de conquistar o mundo. Era a única mulher, sorte a minha, eram todos como meus irmãos! - www.7riversexpedition.blogspot.com -.
Tua ganhaste este ano, outra vez, os famosos "Teva Mountain Games"´... qual é o teu segredo?
Esta foi a minha quinta participação nos Teva Mountain Games. Já ganhei quatro vezes a "Extreme Race" e sempre me classifiquei nos três primeiros nas provas de Freestyle. Yep, o vale onde decorrem os jogos é mesmo bom para mim. O segredo: remar para ganhar, seleccionar bons percursos nos rápidos mais potentes, um bom freestyle e nunca desistir.
Várias da expedição que levou Nikki Kelly por sete rios norte americanos |
Brad Ludden afirma que tu és "agressiva mas delicada". Concordas com esta descrição?
Sim, gosto dessa descrição. Obrigado Brad. Eu sempre fui agressiva, acho que todos precisamos de uma dose dessa parte e, em relação à "delicadeza", bom, essa parte surge quando tu queres parecer delicada. Eu fiz algum slalom e perseguia os craques pelo rio Kaituna abaixo tentando ser tão persistente como eles, ou seja, para conseguires chegar onde determinados craques chegam, só com muita técnica, inteligência e um bom "uso" da água. Tudo isto porque, para acompanhar os grandalhões que andam comigo na água, os meus músculos e o meu corpo não são o suficiente.
Tu tens um curso de massagista. Como concilías com a canoagem?
Eu trabalho por conta própria como "massagista terapeuta" em Rotorua. Como tal, tenho muita flexibilidade para viajar, para me dedicar a outros empregos. Só peço aos meus clientes que esperem até ao meu regresso. Liberdade.
E a fotografia... é a tua "outra" paixão?
Eu não digo que seja uma paixão mas adoro levar a minha máquina para o rio e captar os momentos incríveis que passamos por lá.
Qual a tua manobra favorita?
Boof and the carve.
E canoísta... tem alguém que admires mais em especial?
Eu admiro tantos dos meus companheiros de canoagem...