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KAYAKSURF EM PORTUGAL: UMA PEQUENA REFLEXÃO


por Nuno Benedito






Nuno Benedito

Nuno Benedito não é propriamente um novato nestas andanças. Está na organização da prova de Peniche desde o seu início – e já lá vão 6 anos – , é praticante de canoagem há 17 anos e, se kayaksurf é andar de kayak nas ondas, então o Nuno também já conhece a modalidade desde essa data. Quando questionado sobre qual a vertente que mais o atrai na canoagem, responde laconicamente “Todas”. E é mesmo assim que o Nuno encara a canoagem. O artigo que escreveu para o kayaksurf.net é bem a prova disso. Não foi escrito na cómoda e infundamentada posição de quem está de fora. De quem nunca organizou.

Com largos anos de experiência na organização de eventos desportivos – é Técnico Superior de Desporto -, o Nuno é o primeiro a reconhecer que muita coisa falta à frágil estrutura do kayaksurf nacional. Mas não aponta só as falhas. Sugere soluções e estratégias. Aponta saídas ou possíveis alternativas. Com 35 anos, lamenta corresponder a média de idades das inscrições para o CNKS de 2008 e, como o próprio afirma, é um factor que “… diminui em muito a progressão quantitativa e qualitativa desta modalidade. “ É mais um grande artigo gentilmente escrito para o kayaksurf.net. No final, e como o Nuno escreve, “… pretende ser um documento gerador de debate e discussão entre todos aqueles que gostam do kayaksurf.” E eu acho que o conseguiu muito bem. Obrigado Nuno!


INTRODUÇÃO

“ A vida desportiva nacional tem sido caracterizada, desde há muito, por um escasso número de praticantes regulares – na óptica do rendimento desportivo ou do Desporto para Todos – e pela pouca qualidade global de muitas modalidades e disciplinas, traduzida num parco número de resultados, realmente significativos em competições internacionais importantes, como sejam os Campeonatos Europeus e Mundiais ou os Jogos Olímpicos.”

Manuel Brito in O Desporto Nacional e a Ética: O Discurso e a Prática



Ao longo dos últimos anos muito se tem falado do futuro do Kayaksurf em Portugal, e do desenvolvimento da canoagem de águas bravas em geral. Modalidades como o Kayaksurf, o Freestyle, o Kayak Extremo, os Encontros de Águas Bravas, compuseram o calendário nacional de tal forma que já é necessário elaborar com detalhe a escolha em que actividades se vai participar. Recordo-me de há alguns anos atrás apenas existirem um ou dois encontros de canoagem de Águas Bravas em Portugal, inicialmente promovidos pelo Clube Naval de Almada e mais tarde pelo CCABP (Clube de Canoagem de Águas Bravas de Portugal), e o encontro anual do rio Minho organizado pelos Arrepions que juntava centenas de participantes de toda a Península Ibérica.



o 1º evento de kayaksurf no país
No ano 2000 surgiu o primeiro campeonato de kayaksurf organizado pelo CCABP na praia de São João na Costa da Caparica, com um forte número de inscritos (julgo que eram cerca de 80) surfavam-se ondas com qualquer tipo de kayak, até mesmo com kayaks de creek. A partir de 2003 garantiu-se a regularidade do circuito com a prova de Kayaksurf de Peniche, que despoletou a criação de um circuito nacional de Kayaksurf composto por 4 etapas desde 2005.

E como estamos actualmente?

Como se pode ver há já muito tempo que se fala da evolução do kayaksurf e qual o futuro que queremos dar a esta modalidade. A evolução do kayaksurf é semelhante à de um conjunto de modalidades ou desportos de aventura que surgiram recentemente, como é o caso da escalada com diversas guerras entre federações, o surf que só nos últimos anos se tornou mais pacífico, entre outras.

Facilmente podemos identificar um conjunto de factores que fazem com que esta modalidade não evolua, são eles:

• Número reduzido de praticantes;
• Poucos clubes de canoagem com esta modalidade;
• Falta de formação técnica dos praticantes;
• Falta de enquadramento de campeonatos por uma federação;
• Falta de apoios institucionais;
• Falta de formação dos juízes de prova.

Com tantas lacunas aparentes, somos também dos poucos países da Europa com um circuito nacional composto por 4 etapas, uma etapa do campeonato do mundo de kayaksurf, e dois ou três encontros de kayaksurf e Waveski, agendados para o ano de 2009.

O que devemos melhorar para o crescimento do Kayaksurf?

O que é que está mal, quais são as falhas e as lacunas?
Que instituições devemos responsabilizar para que tomem as rédeas da situação?
Qual é o ponto de partida para manter a continuidade desta modalidade e afins?
Qual é a aposta: formação ou carolice? Investimento pessoal ou despreocupação?
Lutar pela modalidade ou ser indiferente, deixar andar?

No meu ponto de vista são vários os factores que se devem conjugar para o desenvolvimento desta modalidade:





Desenvolvimento centrado no praticante

A idade média dos praticantes de canoagem a competirem no Circuito Nacional de Kayaksurf em 2008 rondou os 35 anos, o que demonstra claramente a falta de praticantes jovens, e o que diminui em muito a progressão quantitativa e qualitativa desta modalidade. Partindo da teoria do cilindro e da pirâmide competitiva para o desenvolvimento de uma modalidade, devemos ter a seguinte preocupação:

Na teoria da pirâmide, na sua base está a formação base de todos os praticantes de canoagem, independentemente do seu nível de prática, e conforme se vai subindo, vão ficando apenas os mais capazes e os que obtêm o melhor resultado, enquanto os que ficam para trás vão sendo “deitados fora”, é aqui que entra o cilindro, todos os que são teoricamente excluídos do modelo da pirâmide devem de estar incluídos no modelo do cilindro.

O modelo do nosso circuito nacional de kayaksurf deve estar aberto a todos, não vejo que seja o participante com 42 anos que tenha ambições de fazer “carreira” no kayaksurf, no entanto deve estar lá para competir, para se divertir, para praticar uma modalidade desportiva que lhe da prazer, para mostrar aos mais jovens que têm de evoluir, para não perderem com o “velho”.




A tradicional Pirâmide Competitiva, a base é composta por todos os participantes,
o topo pelos melhores e mais capazes



O cilindro representa todos os praticantes de Kayaksurf, ou seja os mais e os menos capazes, os mais e os menos competitivos, os que gostam de apanhar ondas independentemente das condições climatéricas, do kayak que usam e dos resultados que obtêm.

Centrado no Clube

São poucos ou mesmo nulos os clubes que têm a modalidade de kayaksurf, tal como têm o Kayak pólo, o slalom, a maratona, as competições em linha. Qual será a razão para que os clubes não invistam nesta modalidade? Vou sugerir algumas razões:

• Falta de formação e conhecimento dos técnicos sobre o kayaksurf;
• Falta de equipamentos;
• Localização do clube (longe da costa marítima).

Julgo que estas são algumas das razões mais comuns para a não prática desta modalidade junto dos clubes.

Solução para alguns dos problemas enunciados:

• Falta de formação e conhecimento dos técnicos sobre o kayaksurf - julgo que hoje em dia é relativamente fácil pedir apoio aos vários praticantes de canoagem, para organizarem uma acção de sensibilização do kayaksurf, junto dos monitores e treinadores de um determinado clube; As técnicas básicas do kayaksurf, são iguais às técnicas básicas de qualquer outra modalidade de canoagem, o que difere é apenas e só o local de prática;

• Falta de equipamentos - a iniciação ao kayaksurf pode ser feita com praticamente todo o tipo de embarcações, sejam elas de kayak pólo, Freestyle, sit-on-top, kayaks de descida, logo não vejo aqui qualquer tipo de fundamentação;

• Localização de um clube - sim pode ser factor impeditivo para a prática regular desta modalidade, mas pode ser superado, com uma deslocação de 200 Km uma a duas vezes por ano à nossa costa Atlântica.

Julgo que aqui até mesmo os núcleos de desporto escolar com a modalidade de canoagem existente em diversas escolas do nosso país podiam fazer um pouco mais (aumentando a diversidade de experiencias em canoagem).




KAYAKSURF: surf ou canoagem?



Centrado nas federações: kayaksurf… canoagem ou surf?

Na minha opinião o Kayaksurf deve-se enquadrar na Federação Portuguesa de Canoagem, uma vez que a modalidade praticada é a canoagem.

Qual deve de ser o apoio da Federação Portuguesa de Canoagem? O apoio da Federação deve ser igual a atribuído para qualquer outra organização de provas de canoagem, tal como, o Kayak pólo, o kayak de Mar, as Maratonas, o Freestyle, etc. Para uma Federação apoiar a sua modalidade têm de existir atletas e clubes federados. Julgo que seria importante tornar esta parceria mais eficaz, de forma a se conseguir formar uma selecção de atletas para participarem no Campeonato da Europa e no Campeonato do Mundo de Kayaksurf.

Discordo completamente com a associação do Kayaksurf à Federação Portuguesa de Surf, uma vez que são modalidades completamente distintas. E para a Federação Portuguesa de Surf apoiar os participantes terão estes de estar federados. No entanto julgo que se deve aprender com a organização e com o regulamentos aplicados ao surf. Desde a forma de organizar os heats, ao tempo dos heats, às punições dos atletas faltosos.

Centrado nas organizações

É aqui que todos os participantes das várias provas gostam de “bater”, e de afirmar que os júris não prestam, que foram penalizados, que o mar estava grande, que o mar estava “flat”, que estava vento, etc. A culpa de tudo está na organização. Mais uma vez discordo completamente com este tipo de comentários.

Porque as organizações também se debatem com a fraca participação dos atletas, o incumprimento dos prazos de inscrição nas provas, o desconhecimento dos regulamentos por parte dos atletas, a falta de fair-play, entre outros casos, uns mais graves do que outros que os participantes proporcionam.

Qual o papel das organizações:

As organizações das diversas provas devem ter por obrigação o planeamento do calendário nacional, a criação de parcerias estratégicas com as autarquias, encontrar patrocinadores, aceitar as inscrições dos participantes, garantir o seguro de acidentes pessoais, garantir a presença de júris e a aplicação dos regulamentos da prova. Julgo que todas as organizações têm cumprido minimamente estas obrigações ao longo dos últimos anos.







Propostas concretas de alterações

As principais alterações que proponho às organizações são:

• Abertura do maior número possível de classes nas diversas provas, como exemplo: HP, IC, Waveski, Freestyle, Sit-on-top, ou até mesmo o paddler surf. Esta medida ia permitir o aumento do número de participantes em todas as provas. Os participantes poderiam escolher o estilo ou estilos que mais gostam ou aquela para o qual têm embarcações. Tecnicamente todos vão evoluir mais. Existirá mais espectáculo para o público. (É indiferente para uma organização ter 28 participantes distribuídos por 14 no WS e 12 no IC, ou ter 6 WS, 6 no SOT, 10 no IC e 6 no Freestyle. Não existe qualquer mal em haver finais directas se assim se justificar. Pelo menos não existe a exclusão, principal factor de abandono desportivo).

• Alteração do tempo de cada manga, neste momento o regulamento define que cada manga tenha o tempo de 20 minutos e 8 ondas no máximo. A minha sugestão seria alterar o tempo da manga para os 15 minutos ou 8 ondas no máximo. Esta medida vai aumentar o empenhamento motor dos participantes em cada manga, bem como o espectáculo para quem está a assistir a estas provas. (neste momento é frequente ver os participantes a passarem para o outside e ficarem à espera “daquela onda” e passam os 20 minutos e só apanharam 2 ondas, qual é o impacto para quem está a assistir?).

• Criar um grupo de cerca de 8 júris que possam estar nas diversas provas.

• Elaborar os heats com base na classificação do raking actual ou o final da época passada.

• Elaboração e fixação dos heats um dia antes da prova.

• Criar um sistema de Lucky Looser no 2º dia de prova (de forma a ocupar vagas que fiquem em aberto por desistências de participantes).

Centrado nos patrocinadores

Os patrocinadores são uma peça fundamental para o desenvolvimento de qualquer modalidade, é com o seu apoio que se consegue criar uma melhor promoção e divulgação das diversas provas.

E o kayaksurf em Portugal bem ou mal já ajudou ao aparecimento de várias marcas ou modelos de marcas destinados ao Kayaksurf e waveski. Julgo que estas podem ter um papel fundamental para o desenvolvimento da modalidade, tal como o surf o faz. Na minha opinião o Circuito deveria estar associado a uma marca (como exemplo vou utilizar o nome de marcas mundiais, para que os responsáveis pelas marcas nacionais ou os seus representantes não se sintam lesados), eis um exemplo:

Circuito Nacional de Kayaksurf Wave Sport 2009

1ª Etapa – Kayaksurf Fluid Barra 2009
2ª Etapa – Jackson Kayak Praia da Amoreira 2009
3ª Etapa – Ocean Spirit Mega 2009
4ª Etapa - Peniche Dagger Kayak Surf 2009

Como é lógico as várias marcas podem apoiar o mesmo evento(s).

A junção destas várias marcas ao longo do circuito iria ajudar a promover as marcas e ao mesmo tempo obrigar as diversas organizações a melhorarem a sua qualidade. Defendemos ainda que a existência de “prize Money” em qualquer tipo de evento é completamente desadequada, não favorecendo o desenvolvimento da modalidade, ainda nesta fase, só se justifica quando se atingir um nível superior de participação e de qualidade competitiva.Os prémios poderão ser eventualmente vales de compras em determinadas lojas.

“A criação de um total movimento social regenerador, requer apoio político, mas também atitude, vontade e acção das organizações desportivas para que compreendam que a dependência do desporto terá de ser perante valores culturais e sociais e não outros. Todos os dias em todos os momentos. Porque só assim o desporto nos pode ajudar a encontrar um sentido para a vida. Uma vida que pede uma cultura para o corpo, a par de uma cultura para o espírito.”

José Manuel Constantino in O Desporto, a Educação e os Valores


Este artigo pretende ser um documento gerador de debate e discussão entre todos aqueles que gostam do kayaksurf.



Foto: Iansand



Nesta onda cabem todos aqueles que a querem surfar, independentemente da sua idade, da sua experiencia ou da sua embarcação…


Agradecimentos


Não podia acabar este artigo sem agradecer a todos os que tem contribuído para a realização da prova de Kayaksurf de Peniche desde 2003, são eles:

Câmara Municipal de Peniche (seria impossível organizar esta prova sem o seu apoio), CCABP, Rip Curl, Bar do Bruno, Kayaksurf.net, Canoagemonline.net, Pagayak, Watertech, Econauta, Rui Calado, Luís Pedro Abreu, Jorge Jorge, Henrique Sousa, Teresa Rodrigues, Ivo Barreiros, Álvaro Almeida ”Varinho”, Amilcar Ventura (e respectivo Team Marafados), Ricardo Inverno, António Mendonça entre outros que me devo estar a esquecer.

E como é lógico a todos aqueles que têm participado, pois são eles que fazem a prova ser um sucesso.


Nuno Benedito
Lic. em Educação Física
Elemento da Organização da Prova de Peniche desde 2003



Publicado em 2 de Fevereiro de 2009

Texto - Nuno Benedito

Fotos: arquivos kayaksurf.net

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