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:: NATHAN EADES in PERU ::









Nathan Eades

Agora, em directo do Peru!



Nathan Eades in Peru / Photo by Naomi James


A última entrevista que fizemos com Nathan, andava ele perdido pela longínqua ilha de Tonga. Nada de especial para quem, volta e meia, vai de pagaia na bagagem para destinos tão díspares como Marrocos, Indonésia, Brasil, Tahiti ou Sri Lanka (entre muitos outros – ler entrevista). Desta vez, fomos encontrá-lo a viver no Peru de onde nos conta as suas mais recentes aventuras.

Nathan assume-se um “free surfing world traveller” mas, pelo meio, vai fazendo umas provas onde se comprova que o galês está na pequena elite do kayaksurf mundial. Conseguiu o terceiro lugar na competitiva classe kayaksurf HP no Mundial 2009 e, no passado, venceu o Campeonato Sul Americano disputado no Brasil. Mas Nathan desenvolve uma outra paixão que lhe é reforçada pela sua formação profissional: adora shapar. Nathan é professor de desenho e tecnologia e sempre desenhou kayaks e waveskis. Já colaborou com várias marcas e agora, a escolhida foi a peruana Greencoast Surfboards. Desta colaboração, já saiu o primeiro waveski made in Peru e estamos certo de que Nathan não irá ficar por aqui. Por agora, continua a viver a escassos minutos do mar com Naomi James (campeã mundial HP 2009) e lecciona numa escola peruana. É sempre com muito agrado que publicamos as entrevistas com Nathan. Emanam boa onda e, acima de tudo, uma postura criativa face às muitas possibilidade que a vida nos dá… ou não.

WEBSITE: www.gcsurfboards.com


SPONSORS:









www.kayaksurf.net - Olá Nathan. Mais uma entrevista! Desta vez… Peru. Diz-nos, como e quando decidiste ir para este país?

NATHAN EADES – Bem, foi tudo assim em cima da hora Luís. Eu estava na Inglaterra há um ano, a meio do meu Inverno inglês que já não vivia há quatro anos e o surf até estava OK mas estava farto de frio. Havia neve por todo o lado e eu só pensava em sair dali para fora!

Um dia, vinha eu do trabalho, e a Naomi (Naomi James, Campeã Mundial HP 2009) disse-me que tinha encontrado na net uma proposta de emprego para ensino no estrangeiro. O emprego era para Lima, Peru, e a ideia de viver sete horas a sul de Chicama (um dos spots mundiais de eleição para o surf), era boa demais. Preenchi a proposta partindo do princípio que era para começar em Setembro daquele ano. Na verdade, comecei logo no dia um Março. Devo ter dito algumas coisas interessantes na entrevista por skype ou então, fiz-lhes ver que estava tão entusiasmado pela proposta de trabalhar no Peru, que fiz com que pensassem que eu era o melhor professor do mundo. O que interessa, é que consegui o emprego. Duas semanas mais tarde, estava eu no avião para Lima com algumas t-shirts na mala e o meu waveski.

Onde é que estás a viver ao certo neste momento?

Neste momento, estou em férias escolares e vou viajar até ao Chile para surfar umas ondas com a Naomi. Depois, voltarei para Lima para a escola. Eu e a Naomi vivemos num grande apartamento na Costa Verde em Miraflores. Demoramos cinco minutos até à praia e há ondas todos os dias e, até agora, nem um surfista. Nem bodyboard, pranchas, kayaks, waveskis, kneeboards… nada. É o ideal!





Nathan lives 5 minutes from the sea in Miraflores, Lima, Peru



Bem… suponho que gostas mesmo da América do Sul ;) Quais os teus planos para o futuro… viver aí?

A princípio, deram-me um ano de contrato e eu já o alonguei para dois e em Agosto, voltamos a negociar de novo. A Naomi também já tem um emprego na escola, por isso, há uma grande possibilidade de ficarmos por aqui por uns tempos. Eu estou a gostar do estilo de vida, o emprego é bem pago, as despesas são muito baixas por isso, temos uma vida fantástica. Posso surfar quando quero, comer fora em bons restaurantes e envolver-me numa cultura fascinante… o que é que eu posso pedir mais??

Como são os peruanos?

São gente muito boa, simpática, surfistas fantásticos e grandes trabalhadores! Parece-me que muita gente pensa que o Peru é um país hostil/perigoso para viver ou para viajar devido ao crime e à violência. Não é esta a verdade. Claro que há zonas em Lima em que à noite eu gosto de estar a milhas, mas isso há em todas as capitais do mundo. Até agora, as minhas vivências por aqui têm sido muito positivas e não numa me senti ameaçado desde que vivo no Peru.




Nathan surfing in Peru by Naomi James



E como é que está o teu espanhol?

Está a melhorar aos poucos. Consigo pedir comida, ter conversas básicas mas, o mais importante, consigo perguntar onde é que há boas ondas e qual o melhor período para surfar! Tenho tido lições de espanhol por isso, espero estar mais fluente quando sair daqui.

Vamos então falar de surf. Com que frequências surfas aí no Peru?

Bem Luís, como já te disse, vivo a cinco minutos da praia… como tal, surfo quase todos os dias. Mas as melhores ondas não se encontram na costa central de Lima. Nós alugámos uma casa de praia mais para sul que fica a quarenta minutos de Lima num sítio chamado Punta Hermosa. É um spot repleto de picos com esquerdas longas, direitas e alguns fundos com rocha. É para lá que vamos aos fins de semana. Durante a semana, surfamos nos picos próximos de Lima e, quando o swell está melhor, rumamos a norte. Os melhores spots para surfar no Peru, na minha opinião, estão no norte na altura das melhores ondas. Têm grandes períodos e linhas incrivelmente perfeitas. Já todos ouviram falar de Chicama e nós já tivemos a sorte de lá surfar cinco vezes em condições perfeitas. Há umas semanas tive, inclusive, a melhor sessão. Podias surfar uma parede perfeita com mais de um quilómetro e estava suficientemente grande para passar a conhecida secção do “El Hombre”- situação muito rara.

Chicama é fantástica mas depois temos uma série de spots mais para norte que me entusiasmam igualmente. É preciso é um bocado mais de procura por isso, os surfistas que pretendam ir até lá, têm que fazer alguma pesquisa.




Nathan in Chicama, Peru



Com que material é que andas a surfar agora?

Tenho usado uma Robson Fluid nestes últimos anos e adoro a pagaia. O tubo é flexível e não fico com os meus pulsos doridos. A pá é grande e dá-me muito power na remada. A Nookie, sempre foi uma das minhas marcas de eleição porque combina estilo e desempenho de uma forma muito bem conseguida. A Nookie é a única marca que tem material para o kayaksurf - têm neoprene muito bom e os seus Ti Vests são excelentes em quaisquer condições. Desde as condições tropicais até às águas mais gélidas onde podemos vestir este equipamento por cima do fato e ficamos completamente protegidos.

Quando a capacetes, estou a usar um “Shensu” e um “Standard” da Shred-Ready. São ambos bonitos, bens construídos e sei que posso confiar neles para me protegerem a cabeça! Tenho surfado muito de waveski e o mais recente que tenho, foi construído pela “Green Coast Surfboards”, Lima, Peru. A qualidade de construção é muito boa e estou muito bem impressionado com os acabamentos da prancha.



Nathan and his gear at the moment



E agora, a questão do costume (risos)…. tu já surfaste em inúmeros destinos (Brasil, País Basco, Portugal, África do Sul, Tahiti, EUA, Costa Rica, Sri Lanka, Marrocos, Equador e Tonga). Da última vez que falámos, apontavas o Peru como o teu destino de eleição… e agora?

Eu sempre te disse que era muito difícil para mim seleccionar um destino… neste momento, o Peru conquistou o meu coração Luís. Talvez seja por ter estado aqui o tempo suficiente para já conhecer bem os spots e a melhor altura para surfá-los. Também pode ser porque não consigo imaginar muitos mais destinos no mundo onde possa surfar a esquerda mais comprida de sempre a escassas horas de casa.

Quais os melhores spots o Peru?

Lobitos, Pacasmayo, Chicama.

Já conheceste alguns kayaksurfistas?

Há um. Um bom amigo que aqui tenho chamado Javier Perez (já publicámos no kayaksurf.net várias fotos de Javier). Ele vive em Huanchaco, outro grande spot que fica uma hora a sul de Chicama. Conhecemo-nos há dois anos quando eu e a Naomi andámos a viajar pelo Peru. Ensinámo-lo a esquimotar e ficámos amigos desde aí.





Lobitos, Pacasmayo, Chicama - best surf spots in Peru for Nathan




Nathan, Naomi and Javier in Peru



Tu ganhaste a classe HP no Campeonato Sul Americano de Kayaksurf (Outubro 2010). Conta-nos como tudo se passou…

Bem, eu encontrei-me com o Bruno (Guazzelli Filho) que me deu a conhecer toda a área e me recebeu nesse fim de semana. Ele é um tipo muito divertido e um grande kayaksurfista! Consegui ter a sexta e a segunda na escola e assim pude participar no evento que decorreu nesse fim de semana. Voei para São Paulo na sexta e depois, apanhei um autocarro que fez o percurso de oito horas durante a noite até Joinville (Santa Catarina). Depois, apanhei mais um autocarro até à praia da prova e cheguei lá por volta da sete da manhã – no dia em que tudo começava. Foi um bocado em cansativo mas valeu muito a pena. Os brasileiros organizaram uma competição fantástica! Já tinham feito reservas no hotel para todos os atletas, um painel de juízes, grande torre para o júri, sistema de som, t-shirts do evento e até um prize-money. O surf esteve altamente todo o fim de semana; havia um pico maçudo com com um bom lip, água quente e dias cheios de sol. Eu não esperava ganhar e, na verdade, resolvi participar na prova mais para surfar com outros kayaksurfistas e riders de waveski da América do Sul. Assim que lá cheguei, vi que as condições se adaptavam ao meu estilo e até o kayak que pedi emprestado (o Evo do Darren Bason) funcionou muito bem. Graças a estas condições consegui vencer e fiquei muito contente.

E como era o ambiente do evento?

Foi fantástico; toda a gente era muito simpática e boa anfitriã para o único “gringo” do evento. Tentei falar um bocado no meu parco espanhol mas os brasileiros falavam muito bem o inglês. Todos fizeram os possíveis para que me sentisse bem recebido. É algo que procurarei fazer sempre que algum estrangeiro venha participar numa prova inglesa. Se este pessoal não me tivesse recebido tão bem, de certo que me sentiria algo perdido. A organização (Chrystian Cezar de Borba) estava muito boa. O evento decorreu nas calmas e, no intervalo dos heats, todos estavam relaxados e em puro chill-out. Foi mesmo um grande evento em que valeu a pena ter participado.

Uma experiência para repetir?

Sem dúvida! Já há muito tempo que não me divertia tanto numa prova!




Nathan won in 2010 the South American Kayaksurf Championship (Brazil)



Imagina que alguém quer ir surfar até ao Peru… que conselhos darias?

Se alguém pretende vir até ao Peru nos próximos doze meses, envie-me um email. Darei todo o apoio para a planificação da viagem. Acho que o melhor conselho será: esquece tudo o que ouviste acerca da América do Sul. Está em grande crescimento e o Peru está muito longe de ser considerado um país do terceiro mundo. Claro que há algum crime mas, se formos cautelosos e não nos comportarmos como uns autênticos fantoches, tudo correrá bem! As melhores ondas estão no norte e a melhor altura do ano para surfar por lá, é de Junho até Outubro.




"Seja qual for a tua habilidade, o tamanho das ondas que surfas, as condições que mais gostas e o que utilizas para surfar…


antes de tudo, és um surfista".












Tencionas participar no Mundial de Waveski este ano em Portugal?

Adorava participar no Mundial de Waveski, ver aqueles tipos a surfarem em grande e conhecer os grandes craques da modalidade. Pelo que estou a ver, todos eles pretendem ir. Infelizmente, o Mundial colide com a temporada de sul aqui no Peru e eu não quero perder a oportunidade de surfar mais uma ondas em Chicama ou Pacasmayo. Pode ser que consiga participar no próximo mundial mas o “free surf” é o que realmente me motiva. O dinheiro que ia gastar para este mundial, dava para visitar outro país em busca de melhores ondas do que as que tenho aqui.

Sabemos que andas habitualmente envolvido em “projectos”… tens algumas novidades para breve?

Entrei em contacto com a Greencoast Surfboard em Outubro e, desde aí, temos trabalho em conjunto para a produção do primeiro waveski fabricado no Peru. A empresa é incrivelmente activa e profissional; em primeiro, sentámo-nos todos em frente ao computador e criámos o waveski com a ajuda um programa de design em 3D. Apurámos os detalhes e procurámos dar todos os meus requisitos e só depois, o foam foi enviado para shapar. A Greencoast tem um router CNC que corta a parte mais volumosa até chegar ao desenho do CAD. O shaper (Rodrigo) fez depois uns ajustes finais antes da prancha ser fibrado.

O resultado final é um waveski criado de acordo com todos os requisitos e acabado com uma qualidade que eu nunca tinha visto numa prancha… incrível. Tenho surfado nestas últimas semanas com este wave em ondas potentes (mais para sul no Chile) e tem sido espectacular. O waves porta-se muito bem e continuo impressionado com a sua qualidade e resistência. Se alguém quer um waveski, eu recomendo, sem sombra de dúvida, um da Greencoast… sempre podem vir fazer uma surf trip ao Peru e levar um para casa!!





First waveski made in Peru by Greencoast Surfboard



Últimas palavras para os leitores da entrevista…

Seja qual for a tua habilidade, o tamanho das ondas que surfas, as condições que mais gostas e o que utilizas para surfar… antes de tudo, és um surfista. Por isso, surfa o mais que possas e nunca deixes passar uma oportunidade de te fazeres às ondas!

obrigado Nathan e boa estadia no Peru!




Nathan Eades surfing in Peru by Naomi Janmes






Nathan Eades, Wales / Campeonato Sul Americano Canoagem Onda 2010, Brasil / Balneário, Barra do Sul, 25.10.2010 / Photo by Alvaro Walendowsky



Trabalho publicado em 20 de Abril de 2011

Texto - Luis Pedro Abreu

Fotos - Naomi James + Alvaro Walendowsky




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