Depois de surfar a pororoca, o meu interesse em buscar ondas longas aumentou. E a sugestão para conhecer a esquerda mais longa do mundo veio da equipe da Surf Travel, operadora que organiza todas as minhas viagens. E a dica que recebi me pareceu bem tentadora: uma esquerda longa, perfeita, com diferentes seções e com um serviço diferenciando de um bote que te leva ao ponto inicial a cada vez que você surfa a onda. Ou seja, o gasto de energia é só pra curtir o drop e as manobras em Chicama! Agora junte tudo isso um visual incrível de deserto, um hotel com infra-estrutura de primeira com serviços diferenciados para surfistas e canoístas.
É algo como surfar horas e horas ondas longas e ao sair da água ter uma equipe para cuidar dos seus equipamentos para que você possa relaxar na sauna, jacuzzi, fazer uma massagem ou aproveitar outros mimos do Chicama Surf Resort.
O Perú é um clássico do surf mundial e sempre esteve na minha lista de viagens e parece incrível como demorei tanto para ir a este destino tão especial estando tão perto do Brasil!
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CHICAMA
Quando decidi surfar em Chicama, estava em busca das boas ondas, mas o que encontrei foi muito mais do que isso. Uma cultura riquíssima, com lendas e histórias interessantíssimas, uma gastronomia deliciosa que apresenta muito mais que o famoso ceviche e uma comunidade extremante hospitaleira.
Chicama é conhecida pela longa distância de suas ondas, mas também por ser um pico muito consistente, com cerca de 150 dias de onda por ano, segundo o guia Wannasurf. E o norte do Perú tem excelentes opções de surf, como Pacasmayo, Lobitos, Mancora e Cabo Blanco – da qual não conheci nesta viagem.
A entrada no país é pela capital, Lima, depois é necessário pegar mais um vôo de cerca de 1 hora até Tujillo – e com mais 45 minutos de van e chega-se ao destino: Chicama!
 Chicama Spot / Peru
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"cabalitos de totora"
Nos dois primeiros dias as ondas ainda estavam baixas, então aproveitei para conhecer a praia de Hunchaco, onde tive a oportunidade de remar nos “cabalitos de totora” - as tradicionais canoas peruanas que datam de 3.000 anos antes de cristo. Os Mochicas, civilização pré-inca que viveram no norte do Perú, utilizavam estas canoas para pescar e surfar. Muitas são as lendas e histórias da região, e dropar as ondas deste país é também mergulhar na história dos primórdios do surf!.
 Totora - the old and famous surf canoes / photos by Jesus El Zorro e Junior Canchumanya
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Também fui conhecer as ruínas de El Brujo (O Bruxo) - centro religioso do vale de Chicama que reunia sacerdotes e curandeiros em cerimônias e rituais especiais em templos e tumbas no meio do deserto com vista para mar.
Outro lugar muito especial próximo a Chicama que vale conhecer é Chan Chan, a maior cidade de barro do mundo. Ela é considerada patrimônio cultural da humanidade pela ONU e impressiona pela grandeza e beleza. Chan Chan significa Sol Sol e foi a capital do reino Chimo – um dos mais poderosos da América do Sul – abrigando cerca de 50.000 habitantes. Caminhar pela cidade de barro com seus muros altíssimos e imagens que mostram as linhas do swell e outros desenhos como peixes, pelicanos e lontras é um convite a viagem no tempo.
Um swell de luxo com kayak e SUP
E quando entram as ondas elas são o show! São várias seções, mas rápidas, um pouco mais cheias ou ocas esperando que alguém possa entubá-las. E dependendo do tamanho e força do swell se conectam e foram a esquerda mais longa do mundo. Um verdadeiro playground para surfistas, canoístas e todos apaixonados por surf. São vários idiomas que se houve no mar, pois surfistas do mundo todo querem conhecer a famosa esquerda, mas pelo menos na semana que estive lá o mar não estava crowdiado e algumas vezes surfei ondas incríveis apenas com mais 3 ou 4 surfistas.
 Roberta Borsari / Kayaksurf Chicama, Peru 2011 / photos by Jesus El Zorro e Junior Canchumanya
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O surf da manhã costuma ser prioritário pois o vento fica mais forte na parte da tarde, mas mesmo quando ele entra, não estraga as ondas – é surf, surf e mais surf!. Portanto quando programar fazer as fotos de ação, prefira a manhã, combine com o fotógrafo Jesus El Zorro e aproveite para conhecer suas histórias. O Junior Canchumanya, também é fotógrafo, videomaker, pilota o bote do hotel e é um excelente guia para contar todas as histórias e dicas de Chicama.
 Roberta Borsari / SUP Chicama, Peru 2011 / photos by Jesus El Zorro e Junior Canchumanya
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Os primeiros dias surfei a onda de caiaque, para fazer o reconhecimento do pico e também por que é o equipamento que me sinto mais a vontade, é a minha paixão! Depois testei o surf de stand up, esporte da qual estou aprendendo e curtindo no momento. E achei que seria uma ótima oportunidade para evoluir no surf de pé – lá descobri que fui a primeira mulher a surfar de sup em Chicama. Não levei a minha prancha, pois a logística do itinerário de vôo com um stand up e um caiaque, digamos que não é muito prático. Mas o hotel tem uma série de pranchas para aluguel e isto possibilita testar diferentes equipamentos na onda – mais um conforto para os hóspedes.
 Roberta Borsari / Surfing Trip Chicama, Peru 2011 / photos by Jesus El Zorro e Junior Canchumanya
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Gastronomia e Contactos
A gastronomia também é um show a parte, pratos tradicionais que alimentam o corpo e alma e faz você conhecer ainda mais a região. Galinha com Aji, Chupe de pescado (sopa), tirajito e ceviche são um convite a boa mesa peruana e o pisco sour é a bebida alcoólica para receber os visitantes.
Uma viagem onde é possível conhecer os mistérios das civilizações pré-incas, dos primórdios do surf, a esquerda mais longa do mundo, a culinária peruana e tudo isso sendo muito bem recebido pela comunidade local.Impossível não sair satisfeito e com vontade de voltar. Recomendo!
 Hotel
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Se você vai a Chicama:
Para saber mais sobre o país: www.culturaperuana.com.br
Onde ficar: www.chicamasurf.com
Como viajar: www.surftravel.com.br