É mais uma aventura de Roberta Borsari, NEWS TEAM kayaksurf.net, e uma das grandes amigas do nosso site. No final do ano passado, relatámos aqui a viagem ao Hawaii onde Bebeta surfou nos locais mais míticos do paraíso do surf. Desta vez, a paulista não precisou de sair do Brasil para viver mais uma aventura. Munida do seu surfkayak, rumou ao nordeste e desafiou o “Hawaii das pororocas” no rio Araguari. Enviou-nos tantas (e tão boas) fotos que, no final do relato, está um slide-show de luxo!! Passemos agora ao relato de Bebeta…
Aventura na Pororoca do Araguari
A idéia de fazer uma expedição na Pororoca veio como uma volta ao passado, como na época em que trabalhava como instrutora de rafting, praticava canoagem de águas brancas e fazia viagens e expedições em rios do Brasil e no exterior. A Pororoca é um fenômeno de marés mundialmente conhecido, que forma uma onda que percorre grande extensão. Ela acontece no Brasil, França, China, Indonésia e outros locais, mas o fenômeno do rio Araguari é conhecido como o “Hawaii das pororocas” – pelo tamanho da onda e a formação de sua parede.
A viagem começa no estado do Amapá, mais precisamente na capital do estado, Macapá. Foi lá que a equipe se reuniu pela primeira vez. O líder da expedição foi Serginho Laus, recordista mundial de tempo de surf na Pororoca, Jorge Pacelli, big rider de Jaws e conceituado shaper de sup no Brasil, Saulo Ramos, tarimbado surfista do litoral norte paulista, o também big rider australiano Skeed Darm, que estava já estava em sua terceira pororoca e eu com o objetivo de ser a primeira mulher no mundo a surfar uma pororoca. Completando o time tivemos o fotógrafo de surf das melhores revistas do Brasil Fabio Paradise, Toninho Jr Javali captando todas as imagens, Marcio, piloto do Jet e experiente na operação do surf no rio e o Capitão Antonio comandando o barco “Menino do Rio” com sua tripulação.
PATROCÍNIO:
APOIOS:
 Amapá State, city of Macapá - where all the adventure began
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O objetivo era fazer o feito do caiaque, colocar pela primeira vez um número variado de equipamentos na grande onda (sup, caiaque, prancha, longboard e alaya) e fazer as remadas de SUP na selva. Carregamos tudo e partimos para uma viagem de 18h rio à dentro, até chegarmos ao ponto onde ficaríamos embarcados. A expedição a pororoca não é uma operação de logística simples ou barata. Em nossa viagem, além da embarcação base com cerca de 25m, também havia uma voadeira (tipo de lancha), barco, 2 jets, e um cálculo médio de gasto de 1.700 litros de gasolina e 600 de disel. Isto para uma viagem de 8 dias contanto 6 dias de surf de onda.
À espera da Pororoca…
O fenômeno ocorre a cada 12h, portanto o surf acontecia pela manhã e a noite sentíamos o barco balançando pela segunda passagem da onda. No primeiro dia acordamos às 4:00h da manhã e a cada dia que se passava o horário da maré mudava ficando um pouco mais tarde. A rotina era um rápido café da manhã que incluía o açaí (fruta energética típica da Amazônia), equipar os barcos e partir em busca da onda através de 50 minutos navegando até o ponto de espera. A onda tem um arrasto de 40km e todo o processo dura cerca de 2:30h, sendo possível surfar seções de 20, 30 minutos ou mais. Ela é irregular e depende muito da formação do fundo e outros fatores para a construção da parede, que não é constante e em certos pontos fecha completamente se tornando apenas um grande espumão – como no trecho conhecido como “Guela da Morte”.
 The wave is not easy... sometimes is just closes all
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Para surfar a onda de caiaque fizemos uma verdadeira operação. Um dos riscos é ser engolido pela espuma, virar e ficar preso nela sendo arrastado por uma onda sem fim. Uma natação complicada, sendo um grande caldo e correndo o risco de perder o equipamento. Fizemos alguns testes para determinar a melhor maneira de entrar na onda, tow in foi a primeira delas, mas a necessidade do Jet fazer muitas curvas fechadas não foi a melhor. A solução foi colocar um sled a amarrar uma corda curta e foi desta maneira que seguimos. Ainda sim era um pouco tenso, pois o Jet joga muita água e balança bastante a parte de trás. Além disso todos os testes eram feitos na onda, sem muita chance para erros. Vivenciamos momentos muito especais, sendo abençoados pela mãe natureza. Isto por que fomos a única expedição no rio, surfando o fenômeno que foi considerado um dos maiores da história e com excelente formação (sem ventos) da grande onda, que atingiu 2me até mais nos momentos mais críticos.
 Tow in was the best way to catch the wave...
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Para surfar a onda de caiaque fizemos uma verdadeira operação. Um dos riscos é ser engolido pela espuma, virar e ficar preso nela sendo arrastado por uma onda sem fim. Uma natação complicada, sendo um grande caldo e correndo o risco de perder o equipamento. Fizemos alguns testes para determinar a melhor maneira de entrar na onda, tow in foi a primeira delas, mas a necessidade do Jet fazer muitas curvas fechadas não foi a melhor. A solução foi colocar um sled a amarrar uma corda curta e foi desta maneira que seguimos. Ainda sim era um pouco tenso, pois o Jet joga muita água e balança bastante a parte de trás. Além disso todos os testes eram feitos na onda, sem muita chance para erros. Vivenciamos momentos muito especais, sendo abençoados pela mãe natureza. Isto por que fomos a única expedição no rio, surfando o fenômeno que foi considerado um dos maiores da história e com excelente formação (sem ventos) da grande onda, que atingiu 2me até mais nos momentos mais críticos.
"É inexplicável a sensação de surfar uma onda perfeita por 20 minutos ou mais"
A conquista da onda acontece a cada dia, mas os 2 primeiros são realmente bem adrenalizantes! Até você se familiarizar com a mecânica da onda que é completamente diferente do mar e passar a interagir de maneira mais natural leva um tempo, e aí cada um tem o seu. Eu fui comedida fazendo o que estava ao meu alcance e contando bastante com a equipe que foi muito parceira e me deu todo apoio. Consegui surfar todas as seções vivendo experiências das mais variadas, não passei por nenhum grande perrengue, só os que fazem parte da aventura. É inexplicável a sensação de surfar uma onda perfeita por 20 minutos ou mais, trabalhar a onda até seus braços se cansarem e aí deixar ela te levar apenas curtindo o arrasto até que você comece a manobrar novamente. As vezes se vc não entrar na primeira onda e pegar a segunda,com uma formação parece que você está em um ambiente espacial, surfando ondulações que como num half sem fim. E se você perder a onda por algum motivo, o jet te resgata e coloca nela novamente.
 Perfect waves...
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Uma curiosidade desta onda é que sua formação é bem diferente da onda do mar. Nesta da base até a metade ela te joga pra frente e da metade até o lip ela te empurra para trás...é bem louco!.A onda termina bem pequenininha entrando na selva quando as quilhas já arrastam no chão. Você termina o surf no meio da selva com os búfalos te observando e pensando...o que é que esses caras estão fazendo aqui?
"Durante a viagem pude avistar: cobras, jacarés, macacos, boto cor de rosa, peixe boi e outros"
As tardes eram de descanso, passeios na selva para ter contato com os ribeirinhos, curtição vendo as fotos do dia e as remadas de Sup. A comunidade local vive praticamente isolada, tirando sua sobrevivência da selva, através da caça e da pesca, sem médicos na região a medicina é toda natural através de ervas e conhecimento que passam de geração para geração. Nossa casa era o barco, mas ninguém nadava no rio. A quantidade de bichos é muito grande e parte deles são perigosos e peçonhentos. Durante a viagem pude avistar: cobras, jacarés, macacos, boto cor de rosa, peixe boi e outros.
 In addition to the flora, the fauna is also fantastic in the Amazon
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Uma experiência inesquecível...
Você pode viajar o mundo e experimentar os mais diversos tipos de onda, mas a experiência de surfar uma onda de rio, perfeita durante 20 ou 30 minutos, com certeza é diferente de tudo que já se fez no oceano. Muitos foram os aprendizados nesta surftrip na selva e os próximos canoístas que forem surfar a pororoca do rio Araguari terão muita informação específica para caiaque e poderão curtir uma das melhores e mais especiais ondas do planeta, além de viver de perto o dia-a-dia da selva amazônica – o que é um capítulo a parte nesta história, precisaríamos de outra matéria...
 After surfing, the end of afternoons were magic...
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