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Nathan Eades
Vamos até Tonga?
Nathan a voar nas ondas do Equador / Foto: Marc Holland |
Conhecemos o Nathan há uns anos nas primeiras viagens a Mundaka (País Basco). Já nessa altura, desafiava os modelos existentes e apostava nos seus próprios designs para surfar. Para além deste hobby pelo desenho – prática que aperfeiçoou com formação académica – sempre o conhecemos por uma outra paixão: viagens. E surf. Muito surf. Nathan Eades assume-se como um “soul rider” nada adepto da competição. Mas este ano o destino trocou-lhe as voltas e, na data em que devia estar a viajar para Tonga, estava a competir no Mundial de Kayaksurf em Portugal. E ainda bem. A sua namorada sagrou-se campeã do mundo na classe HP (brevemente online) e Nathan chegou à final nos HP ficando em 3º lugar. Regressaram a casa com dois troféus e, 3 dias depois, rumaram do País de Gales até Tonga. Pois… ninguém sabe muito bem onde é que fica. Mas as fotos são fantásticas e o surf foi muito bom. É já um veterano nas nossas entrevistas mas é sempre um prazer desfrutar das aventuras do “yellow boy”. Vamos então até Tonga!
WEBSITE: www.stillnotsadenoughtohavemyownwebsite.com
SPONSORS: Nookie – Que me tem apoiado nos últimos 10 anos de aventuras – Obrigado! + Lobster Bob Ocean Wear / Robson Paddles / Shred Ready / Airtime
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www.kayaksurf.net - Olá Nathan. Mais uma entrevista sobre uma das tuas habituais surtf trips mas, antes disso, que balaço fazes da tua participação no Mundial de Kayaksurf em Portugal?
NATHAN EADES – Bem, posso dizer que este Mundial foi um dos melhores em que participei! Tínhamos bares na praia, música durante todo o dia, refeições gratuitas para os competidores e uma infra-estrutura magnífica. Tudo isto fez com que estivéssemos num ambiente incrível! O Comité deste Mundial fez um trabalho extraordinário e trabalharam no duro para a publicação dos heats e de tudo o que era preciso. Gostei muito da decisão de contarem as três melhores ondas em vez de duas. Isto fez com que os competidores se sentissem motivados a arriscar manobras mais radicais. O tempo e as ondas também estiveram altamente e isso é sempre um bónus.
Ficaste satisfeito com a tua classificação (3º em HP)?
Este Mundial foi mesmo muito especial para mim. Eu nunca me considerei uma kayaksurfista vocacionado para a competição e esta não é de certeza a minha motivação para surfar. Eu sou um “soul surfer”. Eu adoro surfar e é essa paixão pelas ondas que me tem motivado a fazer as minhas viagens à volta do mundo e visitar países fantásticos. Por falar nisso, Portugal acabou por transformar-se num destino muito bom. Eu passei grande parte do ano passado a trabalhar com o Dave Savage da Airtime no novo surfkayak “Alushe” e foi no dia em que voei para Portugal que fui buscar de manhã o protótipo. Tive a sorte de o kayak ser precisamente aquilo por que esperava; uma evolução do meu anterior modelo mas com uns rails mais finos e uma traseira mais redonda. Isto permitiu que este surfkayak seja mais rápido e mais manobrável do que os meus anteriores designs. Estava preocupado porque a minha adaptação a este novo brinquedo podia levar algum tempo mas o “Alushe” reagiu precisamente da forma que eu imaginava e aumentou incrivelmente a velocidade!
Nathan a competir no Mundial de Portugal 2009 / Photo by Tim Harvey |
E a vitória de Naomi? Estavam à espera de um resultado tão bom?
Depois da minha viagem pela América do Sul, fiquei convencido de que a Naomi conseguiria ir mais longe e, no Mundial, estive mais preocupado em apoiá-la (Naomi e Nathan estão actualmente noivos). Quando dei por mim, tínhamos os dois alcançado as finais. Foi fantástico ter regressado a casa com dois troféus na bagagem e ainda mais ao ver o estilo com que a Naomi conseguiu chegar à vitória!!
Depois do Mundial em Portugal, passaram algum tempo em Gales e depois… Tonga! Porquê Tonga?
Sim, nós regressámos de Portugal e ficámos somente 3 dias no País de Gales e depois, voámos para Tonga. O Marc (Holland) foi connosco. Infelizmente, o Joey (Hall) não conseguiu ir mas já estamos os três habituados a viajar juntos e sabíamos que tudo iria correr bem. Já desde a viagem ao Tahiti que andava a planear uma viagem a uma ilha do Pacífico Sul e, nos últimos anos, fartei-me de ver foto de Tonga na internet mas ainda não tinha surgido a oportunidade da viagem. Por fim, este ano, conseguimos algum apoio por parte da “Canoe Wales” e a viagem foi possível. Aliás, o Mundial em Portugal coincidia com as datas originais que tínhamos para Tonga e estivemos quase para não ir ao Mundial (mas ainda bem que fomos!!). Tonga, como destino turístico, é conhecida pelas ondas potentes, fundos de recife e água quente, portanto, sabíamos bem que iríamos ter umas boas férias!
Tonga - Perdida em pleno Pacífico |
E como era o surf?
Era espectacular! Apanhámos ondas incríveis, super cavadas e muito rápidas com lips muito bons para as batidas e, tal como já disse, tudo isto em água quente. Lembro-me de apanhar uma onda e sair “disparado” a voar pela parede percorrendo as várias secções e sempre a bater no lip. Fiquei tão impressionado na altura que pensei “Só por esta onda até já valia a pena viajar sozinho até cá!”. Infelizmente, em três semanas, só tivemos cinco dias de ondas assim. Claro que tivemos toda a parte cultural e recreativa da ilha mas, tinha sido uma viagem muito longa para surfar só cinco dias.
Nathan a "voar" em plena onda |
Como é que os locais vos receberam?
Havia um grupo de neozelandeses no mesmo sítio onde ficámos alojados e eles nunca tinham visto um surfkayak nem sabiam o que podíamos fazer com eles. O Marc sacou um aéreo numa tarde e eles nem acreditavam no que estavam a ver! Os locais pensavam que, ou éramos estúpidos ou loucos, ao verem-nos surfar com fundos de recife tão baixos – houve dias em que os surfistas se punham de pé com a água pelos joelhos. Foram todos muito simpáticos connosco na água porque nunca tinham visto kayaksurf e não tinham nenhuma ideia sobre o desporto. Graças a isto, reinou uma atitude muito boa nas ondas e, para te ser sincero, o fundo de recife não era assim um problema tão grande. Houve uma vez que o Marc bateu com o kayak no fundo do recife e partiu-lhe um bocado mas, se bem me lembro, a culpa foi dele. Mereceu porque arriscou demasiado num closeout!
Nathan teve oportunidade de contactar bastante com a cultura local |
Com que material é que andas a surfar agora?
Surfkayak: com o meu novo design fabricado pela Airtime – o Alushe. Estamos agora a trabalhar num modelo mais pequeno para senhoras e juniores e um outro para pessoal mais pesado. Capacete: Shred Ready - são resistentes e gosto do estilo. Equipamento da Nookie para vestir e pagaia Fluid da Robson. A Lobster Bob também me equipa (a mim e à Naomi) e apoia-nos em todos os eventos que organizamos.
Nathan e o seu Alushe by Airtime |
Bom, e agora, a velha questão se sempre… tu já surfaste em muitos países (Brasil, País Basco, Portugal, África do Sul, Tahiti, EUA, Costa Rica, Sri Lanka, Marrocos e Equador).
Se todos os dias que estivemos em Tonga tivessem sido como aqueles cinco de que te falei, aí Tonga ganhava de certeza. Infelizmente, a ilha requer um swell muito específico e aqueles dias clássicos que surgiram não são assim tão consistentes como noutros países que já visitei. Acho que gostaria de voltar a Tonga para trabalhar lá durante um ano e aproveitar ao máximo os bons dias de surf. A América do Sul conquistou definitivamente o meu coração graças à minha última viagem. Pretendo voltar lá de novo muito em breve. Talvez Chile ou México mas, por agora, preciso de trabalhar e poupar algum dinheiro para a próxima aventura.
Nathan Eades |
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"Saiam da toca e façam o que mais gostam para que não passem o resto das vossas vidas
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As melhores recordações que guardas de mais uma viagem…
A simpatia dos habitantes – que sempre nos cumprimentavam e nos faziam sentir bem vindos. As incríveis sessões de snorkelling que te faziam sentir como se estivesses dentro de um aquário de peixes tropicais. O tipo de vida relaxado em Tonga e o clima de tranquilidade pacífica que reinava!
Imagina que quero visitar Tonga… que tipo de conselhos me darias?
Vai, é um sítio muito fixe mas leva na bagagem alguma paciência e muita literatura. E não te esqueças do capacete.
Últimas palavras…
Trabalhar está seriamente sobrevalorizado! Poupem algum dinheiro vão conhecer o mundo. Saiam da toca e façam o que mais gostam para que não passem o resto das vossas vidas a lamentarem-se sobre o que poderiam ter feito!
Excelente conselho… obrigado Nathan!
Nathan Eades |
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Nathan Eades numa pausa antes de fazer ao caminho |
Trabalho publicado em 20 de Janeiro de 2010
Texto - Luis Pedro Abreu
Fotos - Marc Holland + Naomi James

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