CLICK!
CLICK!
CLICK!
CLICK!
CLICK!
CLICK!
CLICK!
CLICK!


CLICK!
CLICK!
:: ALEXANDRE PIERRE-MATTEI / POROROCA 2011 ::




Report de Alexandre Pierre-Mattei

TRIP POROROCA


Alexandre a surfar na Pororoca by Bruno Alves

Alexandre Pierre-Mattei


Alexandre Pierre Mattei, 42 anos, vive em Santa Catarina e é um entusiasta de todas as formas de diversão na ondas. Pertence à nossa NEWS TEAM e, recentemente, esteve com grande destaque nos media devido ao seu Shark Paddle Surf – uma criativa fusão entre o waveski, o SUP e o surf que o próprio criou. Mas este consultor de desportos radicais não se fica por aqui. Já em 1997, um vídeo seu teve honras de exibição televisiva nacional devido à demonstração aparentemente fácil – só aparente! – com que Alexandre se colocava em pé no seu kayak para surfar as ondas. Eram os primórdios do Shark Paddle Surf. Pratica kayaksurf desde 1996 e já acumula várias conquistas: 2007- Campeão Brasileiro Sénior e Vice Open; 2009- Campeão Brasileiro Master e 3° Open e em 2010, sagrou-se Campeão Brasileiro Master e Vice Open e ainda Campeão Sul-Americano Master. Pelo meio destas conquistas e actividades desportivas, Alexandre guardava há vários anos a pretensão de surfar a poderosa Pororoca. Este ano, o projecto seguiu em frente e foi concretizado com sucesso. No mês passado, Alexandre surfou a clássica onda castanha com o seu Shark Paddle Surf em grande.


E o que é a Pororoca?

Na língua indígena da região amazónica, pororoca, significa “grande estrondo”. Este ocorre em épocas de grandes marés oceânicas. Resumidamente, são ondas de água doce que se formam nos rios e baías pouco profundas onde existe uma grande variação entre a maré-alta e a maré baixa. No Brasil, o fenómeno da Pororoca ocorre na região Amazónica, principalmente na foz do seu grandioso e mais imponente rio, o Amazonas. A elevação súbita das águas junto à foz - provocada pelo encontro das marés ou de correntes contrárias – faz com a água do mar corra rio dentro com uma velocidade de 10 a 15 milhas por hora subindo uma altura de 3 a 6 metros (!!). É um fenómeno que, para além do Brasil, também pode ser observado no Canadá e na China, mas de uma forma menor e mais discreta. Vamos agora ao relato de toda a aventura com imagens verdadeiramente fascinantes...


Passemos agora ao relato de Alex…







REPORT TRIP POROROCA

A Aventura começa já no momento da escolha de qual Pororoca será surfada, pois temos no Brasil várias e as mais conhecidas são a do Estado do Pará (São Domingos do Capim), a da Ilha de Marajó, a do Maranhão e a do Estado do Amapá (Rio Araguari), sendo todas na região Norte do País.




Pororoca do Rio Araguari – foto de Bruno Alves



Escolhi a Pororoca do Amapá, por ser a maior e ter a onda mais bem formada, segundo informações prévias que tive. Soma-se a isso, a trip desta ser organizada pelo surfista Serginho Laus, um aficcionado por surf em pororocas e por explorar o surf no rio Araguari há dez anos.




Serginho Laus se preparando para entrar na onda – foto de: Bruno Alves



Marquei minhas férias para coincidir com a trip do dia 17 a 24 de março e embarquei pra Macapá no dia 15 de março. Fui muito bem recebido pelo próprio Serginho Laus, o qual me levou pessoalmente para efetuar as compras de alguns utensílios essenciais como uma rede, mosquiteiro, lanterna, chinelo, repelente, etc.



Tudo a bordo para a aventura / foto: Bruno Alves



Embarcamos as 00:30h do dia 18 e encaramos aproximadamente 18 horas de navegação rio adentro, primeiro no Rio Amazonas e depois de algumas horas a embarcação finamente encontrou o nosso desejado Rio Araguari.



fotos: Bruno Alves



A paisagem é deslumbrante, banhados, igarapés, aves coloridas e búfalos!



Foto: Bruno Alves



O clima sempre agradável e o tempo excelente.



Foto: Bruno Alves



Geralmente a trip é fechada em pacotes com cinco integrantes e para a minha surpresa, encontrei velhos conhecidos do surf dos anos 80, o Saulo Martins junto dos os irmãos Bruno e Alberto Alves. O outro integrante era um australiano que já estava em sua segunda trip consecutiva, o qual veio depois nos mostrar ser um devorador de ondas de rios, um fominha mesmo...rs.



Integrantes da trip almoçando – Foto de Bruno Alves




Picuruta Salazar e Ross Clark Jones

Praticamente junto conosco, veio uma outra embarcação para esta trip, a qual estava lenvando duas grandes celebridades do surf mundial: Picuruta Salazar e Ross Clark Jones.




Embarcação com a outra equipe do Picuruta Salazar e Ross Clark Jones – Foto de Bruno Alves




As duas embarcações atracaram ao lado de uma fazenda que serve de apoio, apesar de ficarmos quase sempre embarcados, inclusive dormimos no próprio barco, alguns em redes e outros em colchões infláveis, mas todos protegidos com mosquiteiros.




Fazenda de apoio, onda as embarcações atracam – Fotos de Bruno Alves


Finalmente o grande dia chegou! Era bem cedo e embarcamos nos botes em direção a Pororoca.




Alexandre Mattei (à direita) e Saulo Martins (à esquerda) navegando em direção à sua primeira onda na Pororoca – Foto de Bruno Alves



Aproximadamente quarenta minutos em alta velocidade nos botes rio adentro até chegarmos ao ponto 01, já na foz do Araguari e bem próximo ao Oceano Atlântico. Esperamos algum tempo e já podíamos ouvir bem longe o estrondo da onda chegando.

Uma onda assustadora rugindo atrás de nós, uma sensação indescritível ver aquela verdadeira Tsunami nos seguindo e aos poucos um a um se jogando nela.




Foto de Toninho Júnior



O australiano já vinha na onda e eu finalmente fui pra água. Por ser um Shark Paddle Surf board, teria de me colocar sobre a prancha, me encaixar e remar, por isso não pude ser colocado na onda como os outros, os quais se jogavam já bem próximos à parede da onda. Por este motivo, tive que aguentar o estouro da espuma nas costas e tentar conectar até a parte boa da onda, onde estava a parede de surf.

No meio do caminho encontrei o Saulo à minha direita deitado sobre sua prancha, o qual estava totalmente dominado pela espumeira, eu o via sendo engolido pra dentro da onda e cuspido logo em seguida. Por este motivo fiquei preso ali na espuma por um longo tempo, pois tinha que ir pra direita e o Saulo não permitia meu deslocamento, isso é comum, sem problemas.




Saulo Martins (à esquerda ) e Alexandre P. Mattei (à direita) – Foto de Toninho Júnior



Em um momento em que a onda o engoliu mais forte, eu aproveitei e consegui passá-lo, mas quase batemos... Consegui chegar à parede da onda, mas ali já estava o australiano surfando muito. Sabia que meu equipamento me permitiria surfar mais pra longe do lip e tentei passá-lo, mas acabei saindo da onda ao tentar passar por cima dele... tática errada!





A onda avança com velocidade entre 30 e 40 km/hora, mas soma-se a isso a velocidade da correnteza contra, daí qualquer vacilo pode acontecer isso, sair da onda.

Logo em seguida veio o resgate e me colocou de novo na onda. Assim funciona o esquema: o surfista cai, o bote ou o jet ski faz o resgate e o coloca de novo na onda, mais à frente e no momento oportuno. A onda da Pororoca não permite surf todo o tempo, pois ela fecha e se torna sinistra! O estouro nos engole e acaba nos tirando dela, mas o caldo não é dos piores, até que achei bem tranquilo. Queria ser colocado no ponto 02, mas a quantidade de jet skis, lanchas, botes me desanimaram devido ao perigo.




Picuruta Salazar surfando no ponto 02 - Foto de Toninho Júnior



Assisti de camarote o Picuruta e o Ross Clark surfarem aquela perte da onda, a qual estava ainda maior que no Ponto 01, acredito que chegou a 12 pés na parte maior.

Mas logo que percebi uma formação de várias direitas seguidas, uma cena indescritível e que poucos no mundo verão aquilo, pedi imediatamente ao piloto do bote parar o barco para eu me jogar na água.




Cenário fantástico com Alexandre no lado direito em pequeno plano face à grandiosidade do cenário...



O ponto 03 é maravilhoso, a melhor formação da onda, uma direita lisa, super bem formada, um sonho que acompanha quem a surfou pro resto da vida. Surfei de pé ao lado da galera.





onda final do primeiro dia – ponto03



Infelizmente estava um croud total esta direita, pois o próprio Serginho Laus estava ali destruindo a vala, ao lado dele, o Alberto Alves, à esquerda, o Bruno Alves. Depois tive o prazer de surfar ao lado do Picuruta e do Ross Clark Jones.



onda final do primeiro dia – ponto03


Picuruta Salazar e Ross Clark Jones – Foto de Toninho Júnior



A onda foi diminuindo de tamanho até terminar logo após passarmos o través a fazenda onde os barcos estavam ancorados. Ao final foi uma imensa confraternização, todos se cumprimentando e comemorando a aventura, um momento único.





O segundo dia não surfamos o ponto 02 em respeito a materia da TV Australiana com o Ross Clark e o Picuruta naquele ponto, sendo assim, a maioria entrou nos pontos 01, 03 e 04.

Neste dia surfamos também o ponto 04, uma onda de meio metrinho e que se forma bem lá pra dentro do rio, inclusive ali ela ressurge do nada, pois ela acaba na frente da fazenda onde atracamos. Esta situação só ocorre quando a onda da Pororoca está muito grande. É uma onda que abre em dois extremos, uma para a direita e a outra para a esquerda. Apesar de ser pequena, é muito divertida e bem formada, excelente para long board, SUP e SHARK PADDLE também.

Ao meu lado estava o gringo fominha de SUP, na parte melhor da direitinha, mas aproveitei mesmo assim.





Acontece o fenômeno da Pororoca duas vezes ao dia, sendo uma onda logo cedo e a outra à noite, porém, só a onda da manhã é surfada, lógico.

Nesta trip marcou a primeira vez que aconteceu surf noturno na Pororoca do rio Araguari, aventurando-se o próprio Serginho Laus e o australiano junto.




fotos de Bruno Alves



No terceiro dia o Serginho resolveu me jogar na onda de tow-in, isto é, puxado por um cabo, assim eu poderia ser colocado na parede da onda e evitar ficar tomando o estouro nas costas.




fotos de Bruno Alves



Funcionou! Assim eu consegui surfar muito mais e cair bem menos. O terceiro dia foi ótimo, inclusive tive a surpresa de ser fotografado por um dos maiores fotógrafos de surf do Mundo, o Bruno Alves. Ser fotografado pelo fundador da revista Fluir foi motivo de muita emoção pra mim e guardarei este momento com muito carinho.




fotos de Bruno Alves





fotos de Bruno Alves



O Bruno fez fotos maravilhosas, inclusive algumas mostrando a boca de tubarão desenhada de baixo da minha prancha.



Alexandre P. Mattei, o primeiro a praticar Canoagem Onda na Pororoca do Amapá – Foto de bruno Alves





Vídeo do 3° dia – Ponto 01



O quarto dia fiz escolha errada de quilhas. O meu Shark Paddle é um protótipo e tem dois jogos de encaixes de quilhas, uma mais atrás para fazer os testes de surf de pé (Stand Up Paddle) e a outra mais pro meio da prancha, para fazer testes de kayaksurf. Escolhi fazer um esquema de quadriquilha no jogo do meio e me dei mal. A prancha ficou instável e eu caí demais, fiquei sem comando, concluindo, matei meu quarto dia com esta escolha errada...

A idéia que temos da Pororoca é uma onda que entra no rio em linha sempre reta, mas não é bem isso o que acontece, pois ela faz diversas curva e, se não prestar a atenção, pode ser jogado pra terra.



foto de Bruno Alves



O quinto e último dia foi perfeito! Surfei o ponto 01, o qual estava bem mexido e não arrisquei me levantar, só surfei sentado mesmo e por muito tempo. Tentei conectar com o ponto 02 enfrentando a espumeira, mas esta me derrubou, não teve jeito.



foto de Bruno Alves



Ao ser recolocado pelo bote na onda um pouco mais à frente, infelizmente saí de novo desta após alguns minutos, mas, para a minha surpresa, consegui pegar uma onda que vinha logo atrás. Geralmente este fenômeno só ocorre entre os pontos 01 e 02, são várias ondas avançando em série e, dependendo do dia, isto é, da intensidade da Pororoca, elas podem ser surfadas.

Ao perder esta segunda, peguei uma terceira, porém, depois de um tempo comecei a ficar muito preocupado, pois não conseguia ver absolutamente nada à minha frente e amadureci a idéia de sair por querer. Foi o que fiz depois de onze minutos surfando esta terceira onda da série.



foto de Bruno Alves



Fui colocado de novo no ponto 02 e conectei até o ponto 03. Como a onda acaba no través da fazenda de atracação dos barcos, todos foram resgatados ali e recolocados minutos depois rio adentro no ponto 04. Ao final da onda fizemos uma enorme confraternização, eternizando este momento em cima de um grande tronco de árvore carregado pela onda e deixado às margens do rio.



Término da trip, última onda surfada... / foto de Bruno Alves



Momentos como este é que nos mostram que a vida é fantástica, que devemos preservar nosso Planeta e que o Surf é um esporte muito especial.

Quem surfou a Pororoca volta, com certeza, ela tem magia, pois cria emoções de alegria, medo, coragem, adrenalina pura! E surfar dentro de um rio na Floresta Amazônica só no Brasil mesmo...



No words... by Bruno Alves



Agradecimentos especiais à KAYAKSURF.NET e TOMBOBEACH !!!

Alexandre Pierre Mattei

AGRADECIMENTO ESPECIAL:





ÚLTIMAS FOTOS by Toninho Júnior e Bruno Alves



Trabalho publicado em 29 de Abril de 2011

Texto - Alexandre Pierre-Mattei

Fotos - Bruno Alves / Toninho Júnior

Vídeos - Alexandre Pierre-Mattei






VISITA A SECÇÃO MEGA!





MAIS INFORMAÇÕES NO SITE OFICIAL DA GATH



MAIS INFORMAÇÕES NO SITE OFICIAL DA ROBSON





HOME
ORIGINS OF SURFKAYAK
GEAR
SIT-IN MODELS
SIT-ON-TOP MODELS
WAVE-SKI SECTION
GREAT INTERVIEWS!
PHOTOS
VIDEOS

HISTORY OF THE CHAMPIONSHIPS
MOVES
SURFKAYAKING RULES
CALENDAR OF THE CONTESTS
FULL REPORTS
NATIONAL RANKING
LINKS!
MORE LINKS

SURF ETIQUETTE
NEWS TEAM
COURSES AND FORMATION
GREAT PICS!
CREDITS
FORUM
NEWS SECTION
WEATHER & WAVES



Copyright 2006 Todos os direitos reservados - Luis Pedro Abreu

kayaksurf@gmail.com