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Report de Alexandre Pierre-Mattei
TRIP POROROCA
Alexandre a surfar na Pororoca by Bruno Alves |
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Alexandre Pierre Mattei, 42 anos, vive em Santa Catarina e é um entusiasta de todas as formas de diversão na ondas. Pertence à nossa NEWS TEAM e, recentemente, esteve com grande destaque nos media devido ao seu Shark Paddle Surf – uma criativa fusão entre o waveski, o SUP e o surf que o próprio criou. Mas este consultor de desportos radicais não se fica por aqui. Já em 1997, um vídeo seu teve honras de exibição televisiva nacional devido à demonstração aparentemente fácil – só aparente! – com que Alexandre se colocava em pé no seu kayak para surfar as ondas. Eram os primórdios do Shark Paddle Surf. Pratica kayaksurf desde 1996 e já acumula várias conquistas: 2007- Campeão Brasileiro Sénior e Vice Open; 2009- Campeão Brasileiro Master e 3° Open e em 2010, sagrou-se Campeão Brasileiro Master e Vice Open e ainda Campeão Sul-Americano Master. Pelo meio destas conquistas e actividades desportivas, Alexandre guardava há vários anos a pretensão de surfar a poderosa Pororoca. Este ano, o projecto seguiu em frente e foi concretizado com sucesso. No mês passado, Alexandre surfou a clássica onda castanha com o seu Shark Paddle Surf em grande.
Na língua indígena da região amazónica, pororoca, significa “grande estrondo”. Este ocorre em épocas de grandes marés oceânicas. Resumidamente, são ondas de água doce que se formam nos rios e baías pouco profundas onde existe uma grande variação entre a maré-alta e a maré baixa. No Brasil, o fenómeno da Pororoca ocorre na região Amazónica, principalmente na foz do seu grandioso e mais imponente rio, o Amazonas. A elevação súbita das águas junto à foz - provocada pelo encontro das marés ou de correntes contrárias – faz com a água do mar corra rio dentro com uma velocidade de 10 a 15 milhas por hora subindo uma altura de 3 a 6 metros (!!). É um fenómeno que, para além do Brasil, também pode ser observado no Canadá e na China, mas de uma forma menor e mais discreta. Vamos agora ao relato de toda a aventura com imagens verdadeiramente fascinantes...
A Aventura começa já no momento da escolha de qual Pororoca será surfada, pois temos no Brasil várias e as mais conhecidas são a do Estado do Pará (São Domingos do Capim), a da Ilha de Marajó, a do Maranhão e a do Estado do Amapá (Rio Araguari), sendo todas na região Norte do País.
Marquei minhas férias para coincidir com a trip do dia 17 a 24 de março e embarquei pra Macapá no dia 15 de março. Fui muito bem recebido pelo próprio Serginho Laus, o qual me levou pessoalmente para efetuar as compras de alguns utensílios essenciais como uma rede, mosquiteiro, lanterna, chinelo, repelente, etc.
Embarcamos as 00:30h do dia 18 e encaramos aproximadamente 18 horas de navegação rio adentro, primeiro no Rio Amazonas e depois de algumas horas a embarcação finamente encontrou o nosso desejado Rio Araguari.
A paisagem é deslumbrante, banhados, igarapés, aves coloridas e búfalos!
O clima sempre agradável e o tempo excelente.
Geralmente a trip é fechada em pacotes com cinco integrantes e para a minha surpresa, encontrei velhos conhecidos do surf dos anos 80, o Saulo Martins junto dos os irmãos Bruno e Alberto Alves. O outro integrante era um australiano que já estava em sua segunda trip consecutiva, o qual veio depois nos mostrar ser um devorador de ondas de rios, um fominha mesmo...rs.
E o que é a Pororoca?
Passemos agora ao relato de Alex…
REPORT TRIP POROROCA

Pororoca do Rio Araguari – foto de Bruno Alves
Escolhi a Pororoca do Amapá, por ser a maior e ter a onda mais bem formada, segundo informações prévias que tive. Soma-se a isso, a trip desta ser organizada pelo surfista Serginho Laus, um aficcionado por surf em pororocas e por explorar o surf no rio Araguari há dez anos.

Serginho Laus se preparando para entrar na onda – foto de: Bruno Alves

Tudo a bordo para a aventura / foto: Bruno Alves
fotos: Bruno Alves
Foto: Bruno Alves

Foto: Bruno Alves
Integrantes da trip almoçando – Foto de Bruno Alves
Praticamente junto conosco, veio uma outra embarcação para esta trip, a qual estava lenvando duas grandes celebridades do surf mundial: Picuruta Salazar e Ross Clark Jones.
Embarcação com a outra equipe do Picuruta Salazar e Ross Clark Jones – Foto de Bruno Alves
As duas embarcações atracaram ao lado de uma fazenda que serve de apoio, apesar de ficarmos quase sempre embarcados, inclusive dormimos no próprio barco, alguns em redes e outros em colchões infláveis, mas todos protegidos com mosquiteiros.
Fazenda de apoio, onda as embarcações atracam – Fotos de Bruno Alves
Alexandre Mattei (à direita) e Saulo Martins (à esquerda) navegando em direção à sua primeira onda na Pororoca – Foto de Bruno Alves |
Aproximadamente quarenta minutos em alta velocidade nos botes rio adentro até chegarmos ao ponto 01, já na foz do Araguari e bem próximo ao Oceano Atlântico. Esperamos algum tempo e já podíamos ouvir bem longe o estrondo da onda chegando.
Uma onda assustadora rugindo atrás de nós, uma sensação indescritível ver aquela verdadeira Tsunami nos seguindo e aos poucos um a um se jogando nela.
Foto de Toninho Júnior |
O australiano já vinha na onda e eu finalmente fui pra água. Por ser um Shark Paddle Surf board, teria de me colocar sobre a prancha, me encaixar e remar, por isso não pude ser colocado na onda como os outros, os quais se jogavam já bem próximos à parede da onda. Por este motivo, tive que aguentar o estouro da espuma nas costas e tentar conectar até a parte boa da onda, onde estava a parede de surf.
No meio do caminho encontrei o Saulo à minha direita deitado sobre sua prancha, o qual estava totalmente dominado pela espumeira, eu o via sendo engolido pra dentro da onda e cuspido logo em seguida. Por este motivo fiquei preso ali na espuma por um longo tempo, pois tinha que ir pra direita e o Saulo não permitia meu deslocamento, isso é comum, sem problemas.
Saulo Martins (à esquerda ) e Alexandre P. Mattei (à direita) – Foto de Toninho Júnior |
Em um momento em que a onda o engoliu mais forte, eu aproveitei e consegui passá-lo, mas quase batemos...
Consegui chegar à parede da onda, mas ali já estava o australiano surfando muito. Sabia que meu equipamento me permitiria surfar mais pra longe do lip e tentei passá-lo, mas acabei saindo da onda ao tentar passar por cima dele... tática errada!
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A onda avança com velocidade entre 30 e 40 km/hora, mas soma-se a isso a velocidade da correnteza contra, daí qualquer vacilo pode acontecer isso, sair da onda.
Logo em seguida veio o resgate e me colocou de novo na onda. Assim funciona o esquema: o surfista cai, o bote ou o jet ski faz o resgate e o coloca de novo na onda, mais à frente e no momento oportuno. A onda da Pororoca não permite surf todo o tempo, pois ela fecha e se torna sinistra! O estouro nos engole e acaba nos tirando dela, mas o caldo não é dos piores, até que achei bem tranquilo.
Queria ser colocado no ponto 02, mas a quantidade de jet skis, lanchas, botes me desanimaram devido ao perigo.
Picuruta Salazar surfando no ponto 02 - Foto de Toninho Júnior |
Assisti de camarote o Picuruta e o Ross Clark surfarem aquela perte da onda, a qual estava ainda maior que no Ponto 01, acredito que chegou a 12 pés na parte maior.
Mas logo que percebi uma formação de várias direitas seguidas, uma cena indescritível e que poucos no mundo verão aquilo, pedi imediatamente ao piloto do bote parar o barco para eu me jogar na água.
Cenário fantástico com Alexandre no lado direito em pequeno plano face à grandiosidade do cenário... |
O ponto 03 é maravilhoso, a melhor formação da onda, uma direita lisa, super bem formada, um sonho que acompanha quem a surfou pro resto da vida. Surfei de pé ao lado da galera.
onda final do primeiro dia – ponto03 |
Infelizmente estava um croud total esta direita, pois o próprio Serginho Laus estava ali destruindo a vala, ao lado dele, o Alberto Alves, à esquerda, o Bruno Alves. Depois tive o prazer de surfar ao lado do Picuruta e do Ross Clark Jones.